Proteção antiblecaute prevê uso de 61 computadores no controle do sistema
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Gustavo Paul 
Rio, 25 (AE) - O sistema elétrico das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste será dividido em cinco zonas de segurança para evitar que interrupções de energia em um ponto de energia se propaguem. A medida faz parte do novo esquema de proteção do sistema elétrico brasileiro, apresentado hoje pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.
"Estamos tomando todas as medidas para que novos blecautes não ocorram", afirmou o ministro. "Mas não posso garantir que apagões não voltem a ocorrer." O plano de segurança do setor elétrico, feito com a colaboração de técnicos estrangeiros, prevê a instalação até 31 de janeiro do próximo ano de pelo menos 61 computadores de última geração para controle do sistema. A instalação destes computadores, chamados de Controladores Lógicos Programáveis (CLP), vai custar US$ 10 milhões, investimento que será custeado inicialmente pela Eletrobrás.
Esse tipo de proteção do sistema elétrico por uma rede de computadores, já existe em outros países há cerca de 15 anos. Uma autoridade do setor admitiu que a decisão de adotá-lo deve-se ao fato de só agora - depois de um blecaute nacional, em 11 de março - ele ter se mostrado necessário. Segundo o ministro das Minas e Energia, o não-investimento nesse tipo de sistema pode ser creditado à falta de recursos para aplicação no setor.
Perigo - Os estudos apresentados hoje mostram que estão em São Paulo os quatro pontos críticos do setor elétrico, que têm grande e médio impacto no desempenho do sistema nacional e um nível de segurança bastante reduzido. De acordo com o ministro, são as Usinas de Bauru, Ilha Solteira, Cabreúva e Jupiá, todas da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
As cinco zonas de segurança passarão a ter um CLP central que transmitirá as informações sobre o desempenho do setor para os demais computadores instalados nas subestações e usinas da região. A primeira zona de segurança vai incluir o sistema elétrico do Paraná e Paranapanema. A segunda compreenderá a região de São Paulo.
A terceira será a área que envolve os Estados do Rio de Janeiro/ Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, além da região nordeste do Estado de São Paulo. A quarta zona compreenderá o Rio Grande do Sul, Florianópolis e o sul do Paraná. A última zona será o tronco de linhas de transmissão que parte de Itaipu, incluindo a usina hidrelétrica.
Os CLPs serão instalados em subestações e hidrelétricas consideradas estratégicas para o sistema. "O CLP é um computador com alta capacidade de processamento, no momento em que ocorrer uma perturbação a rede identifica o problema e determina qual será a melhor opção", disse o diretor do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica do Sistema Elétrico (Cepel), Xisto Vieira Filho.
Segundo os técnicos do Cepel, caso o sistema já estivesse em funcionamento, não teria ocorrido o blecaute de março. Depois do curto-circuito na subestação de Bauru, da Cesp, o sistema teria determinado uma redução na demanda de energia de Ilha Solteira e Jupiá, buscando suprimento em outras usinas. Segundo Viera, foi o excesso de carga nessas usinas que levou à interrupção do fornecimento de energia na região, causando o blecaute em todo o Centro-Sul.


