Paris - Prostitutas vindas de toda a França participaram de manifestação ontem, em Paris, para defender seu direito de trabalhar, ameaçado por um projeto do governo de criminalizar o ato de atrair clientes.
Cerca de 300 prostitutas se reuniram diante do Senado, a câmara alta do Parlamento, no centro da capital francesa.
Elas brandiram cartazes em defesa da atividade que consideram uma profissão como qualquer outra: ''Vocês dormem conosco, vocês votam contra nós'' ou ''Prostituição: uma profissão que queremos exercer''.
Vindas de Lyon, Marselha ou Metz, a maioria usava uma máscara branca no rosto. Uma delegação de seis manifestantes chegou a ser recebida por um grupo de senadores.
Trata-se da primeira manifestação nacional das profissionais do ramo desde o movimento de revolta contra os proxenetas e a polícia, nascido em Lyon em 1975.
Elas se rebelam contra o projeto de lei do ministro do Interior Nicolas Sarkozy que prevê a punição da atração passiva dos clientes com seis meses de prisão e multa que pode ir a até 7.500 euros, o que significa para elas o fim da prostituição.
O projeto começou a ser examinado no final da tarde de ontem, hora local.
Para elas, as medidas levarão a eliminar a prostituição das ruas, onde 80% exercem suas atividades. As casas de prostituição são proibidas desde 1946.
O projeto ''põe a prostituição na clandestinidade'', explica Julie, uma porta-voz do coletivo parisiense ''Hetaira em cólera'', que reúne cerca de 200 mulheres de bairros tradicionais da prostituição parisiense (Bois de Boulogne, Vincennes, rua Saint-Denis, etc.).
Há na França entre 15.000 e 18.000 prostitutas, das quais a metade vive em Paris.
As mulheres vindas dos países da Europa do Leste são as mais numerosas, principalmente da República Tcheca, Albânia, Ucrânia ou Rússia. As africanas (Nigéria, Gana, Serra Leoa, África francófona) representam cerca de um terço das estrangeiras.
O projeto de lei prevê a expulsão das estrangeiras consideradas culpadas de atrair os clientes, o que é considerado um dos meios de lutar contra as redes mafiosas.

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