Prostituição infantil é investigada no Paraguai
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
Patrícia Iunovich Especial para a Folha 
Foz do Iguaçu - A Polícia Nacional do Paraguai investiga uma rede de prostituição infanto-juvenil que age na região da fronteira com o Brasil.
Cinco meninas, com idade entre 9 e 16 anos que vinham sendo mantidas em regime de escravidão foram resgatadas de um prostíbulo no fim de semana, em Ciudad del Este. Três são filhas da proprietária da casa de prostituição, Silvia Baez, de 32 anos, conhecida como Xuxa. A agenciadora foi presa em flagrante, e o prostíbulo fechado, por determinação da Justiça.
Segundo denúncia da imprensa paraguaia, nos arredores de Ciudad del Este, funcionam dezenas de casas de prostituição, onde é comum adolescentes de 12, 13 e 14 anos, inclusive brasileiras, trabalharem como prostitutas. Muitos estabelecimentos funcionam com a conivência das próprias autoridades policiais paraguaias. O caso registrado no fim de semana é um dos mais graves. O Juizado de Menores do Paraguai constatou que as meninas eram espancadas quando se recusavam a se prostituir.
O caso foi denunciado por um vizinho, depois que uma das meninas foi se queixar sobre o trabalho escravo. O prostíbulo ficava localizado na rodovia de acesso a Assunção. O local era bastante frequentado por motoristas de caminhões, agenciados por Silvia Baez, que também fazia programas. No estabelecimento um pequeno casebre de madeira foram resgatadas além das cinco meninas mantidas em regime de escravidão, uma criança de três anos, também filha de Xuxa.
A Polícia Nacional desconfia de que o número de crianças que trabalhavam no prostíbulo seja maior. Foi aberto inquérito para investigar o caso. As seis meninas foram levadas para o Juizado de Menores. Silvia Baez vai responder por cárcere privado, agressão e agenciamento de menores. Se for condenada, a acusada poderá pegar até 20 anos de detenção.


