Curitiba - O delegado geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, afirmou ontem que vai pedir o afastamento do delegado-chefe da Divisão de Narcotráfico, Luiz Antônio Zavataro, responsável pelo início das investigações sobre o envolvimento da Sauna Imperial em esquema de favorecimento à prostituição. O afastamento será solicitado, segundo Adauto, porque o delegado teria criticado a ação policial na apuração do caso, inclusive do próprio delegado geral, além de estar atuando em uma área (prostituição) que não seria de sua alçada.
''As investigações iniciais não comprovaram envolvimento com drogas na sauna. Então por que ele resolve abrir o caso de novo? Que existe prostituição todo mundo sabe. Mas o problema do narcotráfico, que é a área dele, é muito mais grave. Por que ele não vai atrás disso?'', questionou.
Adauto de Oliveira disse que, como presidente do Conselho da Polícia Cívil, recebeu o dossiê da Central de Inquéritos, com as denúncias e fitas cassetes, que revelariam o envolvimento de policiais civis no esquema. ''Eu encaminhei o material para a assessoria jurídica para que verifique o conteúdo e possíveis transgressões disciplinares.'' Adauto questiona, no entanto, a validade das fitas que teriam sido feitas por uma pessoa contratada por Zavataro, e não por um policial.
Apesar de questionar as acusações levantadas por Zavataro, Adauto de Oliveira disse que está encaminhando as acusações contra policias para apuração pela Corregedoria da Polícia Civil. Nas fitas, são citados nomes de delegados.
O delegado geral também afirmou que vai retirar as investigações sobre a Sauna Imperial do 1º Distrito Policial, uma vez que este setor atua junto com a Central de Polícia Integrada, cujo titular é um dos delegados citados em uma das fitas. Adauto disse que vai designar um delegado especial para o caso.
Procurado pela Folha, Zavataro disse ontem estranhar a punição prometida pelo delegado geral e afirmou que a postura de Adauto é pessoal. ''Gostaria de saber se o secretário (Delazari) e o governador (Requião) vão concordar com esta arbitrariedade. Da noite para o dia, de herói passei a vilão.'' Zavataro disse que, no governo passado, quando o hoje delegado geral era corregedor da Polícia Civil denúncia semelhante, encaminhada pelo delegado Aparecido Rodrigues, foi feita e nenhuma medida foi tomada. ''Em vez de mandarem o caso para um distrito policial investigar, acabaram distribuindo a denúncia para a corregedoria de assuntos internos (órgão da Corregedoria Geral).''

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