Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodoc) divulgado no final de junho mostrou que o tráfico de pessoas – especialmente mulheres – para fins de exploração sexual está em franco crescimento e coloca o Brasil como um dos países que mais fornece ‘‘escravas’’ sexuais em todo mundo. Números da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ) divulgados semana passada apontam que cerca de 60 mil brasileiras com idades entre 18 e 25 anos são vítimas do tráfico internacional de pessoas anualmente. Elas têm como destinos mais comuns a Espanha, Portugal e Suíça. O Paraná é um dos estados brasileiros onde existem rotas estruturadas pelo crime organizado para sustentar este mercado que, segundo estimativas do Unodoc, rende pelo menos 2,5 bilhões de euros (R$ 5,8 bi) por ano. Para tentar fazer frente ao problema e cumprir pelo menos parte das metas definidas no Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, técnicos da SNJ começam hoje a monitorar os seis núcleos e quatro postos avançados de enfrentamento ao tráfico de pessoas, instalados nos principais aeroportos do país. Estas células funcionam nos estados do Acre, Ceará, Pará, Rio de Janeiro , Goiás, Pernambuco, São Paulo e Bahia. No Paraná, este serviço ainda não foi estruturado e o estado é um entreposto marcante para os países do Mercosul.


● Normalmente as vítimas são convencidas a viajar, mas quando chegam no destino têm de saldar um débito em torno de 15 mil euros, integrando um sistema criminoso complexo e elaborado

● Levantamento do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH) em Portugal reforça que as brasileiras são as vítimas mais frequentes desse tipo de crime em território luso

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