Nova York, 02 (AE-ANSA) - A economia dos Estados Unidos segue crescendo a um ritmo recorde, porém, o sonho americano parece estar escapando das mãos da classe média, que sente-se excluída do progresso econômico do país. Uma reportagem do jornal The New York Times sugere que o rendimento de uma família média não está seguindo o ritmo de crescimento da inflação, enquanto as horas de trabalho continuam aumentando. A classe média norte-americana inclui famílias com renda anual ao redor de US$ 48 mil. Porém, os rendimentos não são atualizados no mesmo ritmo da inflação. De acordo com o The New York Times, 1998 foi o único ano em que se registrou um aumento substancial dos salários em quase duas décadas. "A imprensa e a televisão seguem dizendo que estamos em meio a um boom econômico. Contudo, esta não é a impressão da classe média, que continua trabalhando duro por seus modestos ganhos", disse Marc Miringoff, um dos sociólogos consultados pelo jornal. Dados do censo revelam que, a cada ano, a típica família burguesa norte-americana trabalha mais para manter sua renda estável: uma família com um ou dois filhos trabalha, hoje, uma média de 3.860 horas por ano (o que equivale a mais de dois empregos em tempo integral), contra as 3.236 horas de 1979. "Há dias em que examino minha vida e penso que tudo vai bem, mas há outros em que penso nas minhas amigas que não precisam trabalhar e me pergunto se eu e meu marido não erramos em algum ponto", disse Carrie Jones, membro de um núcleo familiar que ganha US$ 43,5 mil por ano. De acordo com o professor de economia Douglas Haskel, parte dos problemas encontra-se nas ambições da pequena burguesia, que está sempre um passo adiante de sua capacidade de consumo. "O crescimento econômico dos últimos anos beneficiou as finanças da classe média. No entanto, a maior prosperidade parece ter também acelerado a lista de gastos", disse o professor. As dificuldades econômicas parecem ser, principalmente, um problema de percepção. Apesar de expressarem dificuldades financeiras, todas as casas de famílias de classe média entrevistadas pelo jornal tinham geladeira de duas portas, televisão de telas grandes, sistemas de som caros, computadores e, algumas, até piscinas.

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