Lisboa, 9 (AE) - Em eleições que se realizam sob o impacto de duas grandes comoções nacionais - a questão de Timor e a morte de Amália Rodrigues - a grande questão para os portugueses que votam amanhã em eleições para o parlamento é se o Partido Socialista, vai conseguir obter a maioria absoluta. Nas últimas sondagens, publicadas na semana passada, o PS tinha entre 47 e 50% das intenções de voto.
Dirigido pelo atual primeiro-ministro Antônio Guterres, o PS encontra-se favorecido pela conjuntura. Os portugueses têm nos últimos anos um crescimento econômico anual de 3,5%, superior à média européia, inflação inferior a 3% ao ano e uma situação de consumismo causada pela baixa da taxa de juros européia. Atualmente, o dinheiro investido rende menos do que a inflação.
A grande incógnita que pode alterar o resultado será o nível de abstenção, resultado da falta de confronto político durante a campanha.
Durante as últimas semanas, o país viveu um clima de consenso nacional em torno da questão timorense, com manifestações suprapartidárias que chegaram a reunir mais de 300.000 pessoas - as maiores desde a revolução de 25 de abril de 74. Na quarta-feira desta semana, quando os políticos começavam a definir melhor a diferença entre suas propostas, faleceu a fadista Amália Rodrigues, gerando uma comoção e luto nacional, que obrigou a diminuição das atividades dos partidos.
O sistema eleitoral português facilita a obtenção de maiorias. Basta receber 43 e 45% dos votos válidos para ter a maioria: 116 das 230 cadeiras do parlamento.
A eleição realiza-se por voto distrital misto: cada um dos 22 distritos elege um número de deputados proporcional à sua população, com um mínimo de três por distrito. Em Lisboa, com mais de 1,8 milhão de eleitores, serão 50 deputados, enquanto o distrito de Portalegre, com cerca de 110.000 eleitores, tem direito a três deputados.
Além disso, há quatro deputados eleitos pelos emigrantes portugueses: dois pelos eleitores europeus e dois escolhidos pelos portugueses que moram fora da Europa. Os portugueses do Brasil costumam dar a vitória na eleição fora da Europa ao Partido Social Democrata, atualmente na oposição - cerca de 70% dos votos brasileiros vão para o PSD.
Os 8.796.599 eleitores poderão optar por 12 partidos, embora as sondagens indiquem que apenas 5 têm possibilidades de eleger deputados: o socialista (centro-esquerda), o social democrata (centro-direita), a coligação liderada pelo Partido Comunista Português, o Partido Popular (direita) e o recém-formado Bloco de Esquerda.

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