Proscrição da seita reflete intenção de esmagar oposições
Pequim, 23 (AE-AP) - Os governantes chineses consideraram que a seita de meditação Falun Gong cometeu um crime imperdoável quando parte de seus integrantes realizaram um protesto silencioso diante do complexo Zongnanhai, local onde os principais líderes do governo vivem e trabalham.
Com seu desafio silencioso, estes membros da escola de meditação e de exercícios de lentos movimentos para manter a saúde, representaram, aos olhos do governo, uma ameaça direta ao monopólio do poder que exerce o partido comunista.
Ao proibir ontem este movimento, os líderes chineses mostraram sua determinação de esmagar toda organização que desperte manifestações contrárias ao governo, num momento em que há um crescente descontentamento popular devido ao desemprego, baixas rendas e a corrupção administrativa.
Segundo estimativas, Falun Gong tem cerca de 70 milhões de adeptos na China, nove milhões a mais que o Partido Comunista.
O governo proscreveu qualquer tentativa da seita para organizar-se, realizar suas práticas em grupo ou distribuir material, o que pode levar parte de seus membros a desenvolverem suas práticas na clandestinidade.
A maior parte dos chineses, sabendo que o Partido Comunista nunca tolerou desafios a seu poder, mantêm-se afastada de grupos dissidentes e de outras organizaçãoes proibidas.
Ao acrescentar a Falun Gong à lista dos proscritos, as autoridades esperam que a maior parte de seus membros se incorporem a outras das inumeráveis escolas de "kigong" , ou seja, de exercícios derivados das artes marciais para manter a saúde, praticados diariamente por milhões de chineses.
Entretanto, a imprensa oficial faz uma campanha apresentando o fundador da seita, Li Hongzi e os seus ensinamentos, como uma ameaça pública, citando casos de membros que se suicidaram ou mataram outras pessoas depois que se juntaram à seita.
O fato da seita também incluir entre seus seguidores membros do Partido, funcionários do governo e soldados, faz com que pareça uma ameaça maior ainda.
No início seus membros se reuniam em parques para meditar e praticar os exercícios para a saúde, e apesar da enorme quantidade de afiliados e de sua capacidade para organizar protestos de massa, a seita dizia que não contemplava nenhum objetivo político.
Mas o protesto de abril em Pequim e as manifestações desta semana, das quais participaram milhares de seguidores em dezenas de cidades, demonstraram que a seita tem a capacidade de mobilizar seus simpatizantes contra pressões do governo.





