Proprietários temem conflito e pedem solução urgente
Proprietários temem
conflito e pedem
solução urgente
DivulgaçãoRamos: Temos os títulos concedidos pelo governo federal há 50 anosA Comissão dos proprietários das terras reivindicadas pelos índios, no Distrito de Panambizinho, em Dourados, MS, quer que a CPI da Funai analise com urgência a sua proposta para a solução do conflito que se agravou nas últimas semanas. Duzentos e cinquenta líderes guaranis e kaiowás reunidos em Dourados ameaçam chamar 18 mil índios das diversas aldeias do Estado para cercar e invadir 1.180 hectares de terras que consideram suas e que estão ocupadas por colonos desde o final da década de 40.
A comissão dos proprietários propõe a desapropriação de outras áreas próximas, e improdutivas, para transferir os indígenas. Nossas terras são altamente produtivas, alguns de nós estamos aqui há mais de 50 anos. Queremos que a CPI da Funai analise com urgência a nossa proposta e encaminhe com urgência ao governo, para evitar a explosão do conflito, afirma José da Silva Ramos, um dos líderes dos colonos.
O Distrito de Panambizinho é formado por mais de 300 colonos, assentados ali na década de 40 por decreto do presidente Getúlio Vargas. É um dos mais antigos e bem-sucedidos projetos de reforma agrária brasileiros. Em 95, o ministro da Justiça Nelson Jobim assinou portaria em que transferia 1.180 hectares de terras dos colonos para os cerca de 200 índios da aldeia que existe no distrito.
A partir disso, os índios começaram a exigir a posse destas terras e alguns colonos dizem que só saem de lá mortos. Os índios também estão dispostos a lutar. Nossa convivência com os índios aqui da aldeia sempre foi pacífica. Muitos trabalham em nossas terras. Até concordo que eles precisam de mais terras, pois a aldeia é muito pequena. Mas nós somos os legítimos proprietários, com títulos concedidos pelo governo federal há mais de 50 anos. Não é justo que, agora, o mesmo governo venha e tire as terras de nós, diz Ramos.





