Proprietários sofrem com invasões de casas
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - Faz uma semana que Nayara Cristina Medeiros invadiu uma casa do Residencial Ana Terra, conjunto de 85 casas que construídas pelo programa Minha Casa Minha Vida, na Zona Norte de Londrina. ''Estava abandonado, não tinha ninguém e eu fui expulsa de onde vivia. Então vim para cá. E não vou sair não. Vou ficar aqui com meus três filhos'', afirmou.
Uma vizinha de Nayara, a dona de casa Ieda Moreira, que vive no local praticamente desde a inauguração em setembro do ano passado, confirma a história. ''Estava virando um mocó o lugar. Só aparecia gente para fazer bagunça'', conta.
Segundo Nayara, que antes da invasão vivia num bairro próximo, ''a dona alugava a casa para uma mulher, cobrava acho que R$ 150. Mas aí a mulher não conseguiu pagar mais e foi morar com a mãe uns meses atrás'', disse a jovem.
De acordo com o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), João Verçosa, não há registro de proprietários que tenham alugado casa do programa Minha Casa Minha Vida. A prática é proibida por lei. ''Todos os beneficiados pelo programa do governo federal passaram por uma seleção muito criteriosa. Eram pessoas que viviam em fundos de vale ou em outras situações de vulnerabilidade social'', explicou.
Segundo levantamento da Cohab, há quatro casos de invasão no Ana Terra. ''Esse é um caso de polícia. Alguns proprietários nos falaram que chegaram a receber ameaças. É uma situação inadmíssivel e o Estado tem que dar garantia constitucional para essas pessoas. A Cohab está prestando assistência às famílias, mas é o máximo que podemos fazer'', acrescentou.
De acordo com Verçosa ''há moradores que estão com medo de até ir ao trabalho.'' ''Eles ficam a maior parte do dia fora de casa e temem terem seus lares invadidos'', disse.
Maria Francisco Bento, de 76 anos, é uma das pessoas que tiveram sua casa invadida. ''Eu não mudei para lá assim que foi entregue porque fiz uma reforma. Coloquei piso, muro. E quando estava acabando a reforma fiquei mal de sáude. Minha filha não deixou eu ir para lá sozinha. Então íamos esperar até este mês, que venceria o prazo do aluguel da casa dela e ela iria morar comigo lá. A gente estava se preparando para mudar agora e aconteceu isso'', lamentou a mulher, que até já registrou boletim de ocorrência.
A aposentada contou que a filha chegou a visitar o local para conversar com os invasores, mas foi ameaçada. ''Uma moça disse que o marido estava preso, mas que quando saísse ia acertar tudo'', contou.
Segundo o advogado Julio Cézar Salinet, a polícia não pode agir contra os invasores. ''A única exceção seria em caso de violência ou algum conflito armado, por exemplo. Mas fora isso, a polícia só pode agir por força de uma decisão judicial'', explicou.


