Proprietários rurais de Bagé vão manter "vistoria zero"
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 1 (AE) - Os proprietários rurais de Bagé, RS, "desconhecem" os índices de lotação pecuária válidos para os 17 municípios da Campanha, divulgados hoje em portaria dos ministérios da Agricultura e da Política Fundiária. A afirmação é do presidente do Sindicato Rural do município, Roberto Zago, que garantiu a manutenção do movimento "vistoria zero" para barrar as inspeções do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Voltamos à estaca zero", afirmou.
Pelos índices definidos hoje, será passível de desapropriação a fazenda que tiver índice de lotação pecuária igual ou inferior a 0,8 unidade animal (o equivalente a 360 quilos) por hectare. De acordo com o ruralista, a comissão técnica que definiu os novos índices de produtividade para determinar a desapropriação ou não de áreas para fins de reforma agrária foi "manipulada" pelo diretor de cadastro do Incra, Eduardo Freire. "Ele negou-se a ouvir a Embrapa e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e optou pelo laudo da Unicamp (Universidade de Campinas)", protestou.
Zago reclamou ainda que o Incra não levou em consideração os avanços tecnológicos da pecuária gaúcha nem o aumento da criação de novilhos jovens no Estado. "O Incra considera todo novilho abaixo de dois anos como 0,37 unidade animal e temos animais com 1,5 ano com 450 quilos que já dariam uma unidade", afirmou o presidente. Segundo ele, a "prática burra" do instituto vai estimular a formação de "estoques" de animais no campo.
Para o dirigente, a portaria não podia ser assinada na ausência do ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, que está em Seattle (EUA), para as negociações da Rodada do Milênio na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Ele é sabedor da situação da pecuário no Rio Grande do Sul", afirmou.
Estratégia - Os proprietários rurais de Bagé reúnem-se hoje no sindicato da cidade para definir a forma de ação contra as vistorias. O Incra aguarda a decisão do juiz federal Belmiro Krieger sobre o pedido de tutela antecipada para garantir as inspeções nas propriedades que foram lacradas ontem (30) pelos fazendeiros. O Ministério Público Federal já deu parecer favorável à ação e as vistorias podem recomeçar amanhã (2).
Uma equipe de 12 pessoas - incluindo três procuradores - do Incra está em Bagé para a operação. Ontem (30) à tarde eles tiveram que permanecer no interior do hotel em que estão hospedados no centro da cidade por causa da manifestação de fazendeiros no local.


