Itararé, SP, 15 (AE) - Nesta semana faz nove meses que a Fazenda Rio Verde, em Itararé, a 320 quilômetros de São Paulo, foi invadida e depredada por 600 sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), mas até agora o proprietário Roberto Maschietto não conseguiu recuperar totalmente a propriedade. Nem reaver os prejuízos, avaliados em cerca de R$ 1 milhão. Nenhum dos sem-terra envolvidos nas depredações, roubo de equipamentos e abate de gado foi preso.
Os inquéritos, abertos na ocasião, continuam sem conclusão, segundo o advogado do proprietário, Douglas José Tomass. Maschietto ainda não perdeu a esperança de ser indenizado. "Estamos reunindo laudos e documentos para processar o Estado, a União e os sem-terra." A violência usada na invasão não tinha precedentes, até então, na história do movimento.
Na madrugada do dia 19 de outubro do ano passado, os sem-terra entraram na fazenda armados e encapuzados, renderam a família do proprietário e empregados e iniciaram uma série de atos de vandalismo. Com o pretexto de resistir a uma possível ação policial, os sem-terra destruíram e transformaram em barricadas as portas, janelas e as tábuas do curral. A casa-sede e a residência dos empregados foram destruídas. "Arrancaram até o piso", contou Maschietto. Foram abertos buracos na laje para que a construção principal fosse incendiada, em caso de despejo.
Quando os sem-terra saíram a fazenda estava arrasada. Tinham sido arrancados vasos sanitários, fiação elétrica, torneiras e pias da casa-sede. "Eles defecaram até sobre a mesa
por pura provocação." A demora para cumprir a ordem de despejo
dada no dia seguinte à invasão pela juíza de Itararé, Elizabeth Ashikawa, permitiu que os sem-terra matassem boa parte do gado, segundo Maschieto. Eles ficaram quase quatro meses na propriedade. "Tínhamos 3.500 cabeças de gado selecionado e, além de matar mais de 300, eles misturaram o rebanho", contou Maschietto. "Até agora não consegui recuperar o padrão do gado." Parte das pastagens tratadas havia sido arada e teve que ser refeita.
O trauma da invasão permanece até hoje, segundo ele. Seu filho, que foi rendido pelos sem-terra, vive sobressaltado e anda com seguranças. "Temos dificuldade para manter os empregados na propriedade." O pior, segundo ele, é que aos sem-terra não aconteceu nada. "Eles apenas foram para outro lugar e continuam agindo da mesma forma."

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