Proprietária nega violência da polícia
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Da Redação 
Lourdes Pagano, proprietária da Fazenda Transval, em Querência do Norte, uma das áreas abrangidas pela operação da PM na semana passada, rebateu ontem as acusações do MST sobre supostos casos de agressão, roubo e tortura psicológica que teriam sido praticados pelos soldados contra os sem-terra. Vou ao Tribunal de Haia, vou à ONU, vou onde for preciso para testemunhar com todas as letras: ninguém foi agredido, roubado, maltratado, toda a operação foi muito pacífica e testemunhada por mim. O que o MST diz é tudo mentira, afirmou ela.
Lourdes estava ontem em Curitiba, e disse ter recebido com surpresa as denúncias formuladas na véspera pelo MST e CPT (Comissão Pastoral da Terra). A Fazenda Transval, de 573 hectares (236 alqueires), ficou ocupada por 37 dias e sofreu prejuízos que, segundo a proprietária, ainda estão sendo contabilizados. Ela acusa os sem-terra de agirem como vândalos e de terem sido os responsáveis pela roubo de 2 mil litros de óleo diesel e de vários equipamentos que estavam dentro da casa de madeira da propriedade, incluindo fax, microondas, roupas e até as mata-juntas. Os maiores danos, porém, teriam ocorrido nas lavouras de milho (400 hectares) e soja (160), que, conforme Lourdes, ficaram totalmente destruídas por não terem recebido os tratos adequados durante a invasão. Dois experimentos do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), também se perderam. Ela conta que registrou vários boletins de ocorrência na Delegacia enquanto a área estava em poder dos sem-terra, para comprovar os roubos na fazenda.
Quando os sem-terra estavam lá e o governo não agia - diz Lourdes Pagano -, cheguei até a levar um abaixo-assinado ao governador, com 17 mil adesões de gente de todos os setores de atividade, pedindo providências. Era a população que exigia uma ação concreta. Agora, não posso me calar diante das mentiras que estão sendo ditas - não porque a polícia liberou a minha área, mas porque esta é a verdade: a Polícia agiu com lisura, não deu um único tiro e dispensou um tratamento digno a todos. Ela afirma ter ficado chocada com as informações dadas à imprensa pelos sem-terra, a quem chama de destruidores. Ao mesmo tempo, diz ter um sentimento de pena e tristeza em relação a eles. A proprietária diz que todos os sem-terra retirados de sua fazenda foram alojados em ônibus e caminhões, receberam lanches e foram enviados para seus locais de origem, sem nenhum tipo de violência.
Prejuízos Os proprietários que tiveram suas fazendas desocupadas dizem não saber como vão reverter os prejuízos que tiveram com a ocupação.
A Fazenda São Francisco, de 790 hectares, foi invadida no dia 8 de setembro de 1998. Mesmo com o laudo de produtividade e plantações de soja em quase toda a área, os sem-terra não quiseram sair. Em outubro, um sem-terra foi assassinado numa tentativa de retirá-los à força, feita por mascarados. Na quinta-feira passada, os sem-terra, já sabendo da ação policial, saíram da fazenda e foram para outra área.
O proprietário, Morival Favoreto, disse que os prejuízos já somam mais de um milhão de reais e continua contabilizando os danos. Perdi dois tratores, roubaram todas as casas, tiraram até as paredes internas de uma delas. Estou há duas safras sem poder plantar, comentou. Ele garante que a fazenda não tinha pecuária, somente cultura de soja.
Favoreto afirma que agora vai cobrir a terra com um adubo verde. Favoreto não descarta a possibilidade de ingressar com uma ação de indenização contra o governo, por causa da demora em cumprir a liminar expedida pela Justiça. Quero rever o que perdi.


