Brasília, 19 (AE) - A proposta do governo para aliviar o peso da dívida dos agricultores custará R$ 287 milhões em despesas extras neste ano, informou hoje o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa. Para 2000, a conta sobe para R$ 317 milhões e, para 2001, chega perto de R$ 500 milhões. "A proposta representa um esforço muito grande para o governo federal, mas é compatível com as dificuldades que enfrentamos e com o resultado que nos propusemos a alcançar", disse.
Ele explicou que a conta de R$ 4,5 bilhões divulgada ontem pelo Palácio do Planalto refere-se ao custo total do programa, que se distribui num período médio de dez a 12 anos. A proposta do governo é que a quitação de dívidas até R$ 10 mil seja prorrogada por duas safras e tenha um desconto de 30%, desde que paga em dia. Para débitos até R$ 200 mil, a idéia é autorizar o pagamento de parte do montante no fim do contrato, mediante acerto de 20% neste ano e 30% no ano que vem.
Segundo Barbosa, o custo adicional da ajuda aos agricultores não comprometerá o ajuste fiscal. "Temos um acúmulo de resultados positivos onde será possível encaixar essas despesas", informou. Entre os fatores que possibilitaram decidir por esse gasto adicional, o secretário citou o bom resultado da arrecadação de julho, que chegou a R$ 13,773 bilhões, com um crescimento real de 18,43% sobre o mesmo mês em 98.
Barbosa lembrou que o governo federal vem, há três trimestres consecutivos (desde outubro de 98), cumprindo as metas de resultado fiscal acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Temos confiança de que cumpriremos as metas do terceiro trimestre deste ano", afirmou. Segundo o secretário, o Orçamento Geral da União para o ano 2000, a ser enviado ao Congresso no final deste mês, também refletirá o compromisso do governo com o ajuste fiscal.

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