Proposta de renovação da frota pode ser usada em outros setores
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 1 (AE) - O projeto de lei da renovação da frota de veículos poderá ser estendido a outros setores, como o de eletroeletrônicos. O deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) defende que a Câmara utilize o exemplo da indústria automobilística para criar projetos de desenvolvimento industrial em outras áreas, como a de eletroeletrônicos. "Nos parece uma grande experiência histórica, que poderá ser estendida para uma renovação de equipamentos", destaca.
Mercadante está empenhado para que a renovação da frota seja aprovada pelo Congresso. "Não faz sentido que uma matéria dessas seja colocada em prática por meio de Medida Provisória", destaca.
Para o deputado, os parlamentares, indústria e sindicatos poderão utilizar a idéia em outros setores. "O Congresso precisa sair um pouco dos tapetes de Brasília e ir para o chão de fábrica", destaca o parlamentar.
O anteprojeto de lei para o programa de renovação da frota de veículos já está em tramitação. A expectativa é aprová-lo antes do recesso de julho. Aberto a sugestões e emendas, o projeto se baseia na proposta elaborada pela subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
"É claro que não vamos resolver os problemas do País, que necessitariam de um projeto de desenvolvimento", lembra o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho. Se o programa de renovação da frota for ampliado, outros setores industriais serão beneficiados pela redução de impostos.
Para tirar os carros velhos das ruas e aumentar o ritmo de produção das montadoras, o governo federal está disposto a contribuir com R$ 700 na venda de cada carro zero-quilômetro, na forma de redução de IPI. O governo de São Paulo já concordou em contribuir com mais R$ 500 com menos ICMS. As montadoras dariam R$ 300 e as concessionárias outros R$ 300. Os veículos a álcool ganhariam incentivos adicionais.
Carga - Mesmo com os incentivos, que já foram de certa forma antecipados no acordo emergencial em vigor, o carro brasileiro é o campeão mundial em impostos. A média da carga tributária dos automóveis está hoje em 33,8%. No popular o peso dos impostos chega a 30%. No caso dos modelos de luxo, para cada carro vendido, quase a metade do valor vai para o governo.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, afirma estar preocupado com o aumento da capacidade da indústria no País. Hoje, para um mercado de 1,2 milhão a 1,4 milhão de veículos - última previsão para este ano - existe uma capacidade de produção de 2,5 milhões de unidades.
Pinheiro Neto lembra que no final do ano 2000, quando as montadoras já instaladas tiverem concluído seus projetos de expansão e as novas marcas já tiverem suas fábricas no Brasil, a capacidade chegará a 3,2 milhões de veículos. A partir daí, o Brasil terá 17 fabricantes de automóveis.


