Paris, 27 (AE) - A proposta orçamentária do governo francês para o ano 2000 prevê uma importante redução de impostos estimada em 38 bilhões de francos. A decisão era esperada e foi confirmada pelo ministro da Economia, Dominique Strauss Khan, após reunião com o primeiro-ministro Lionel Jospin. A medida era reclamada por toda a classe política, situação e oposição, e o próprio presidente Jacques Chirac havia lançado um apelo nessa direção no dia 14 de julho, data nacional francesa. Isso se deve
em grande parte, ao forte excedente fiscal de cerca de 60 bilhões de francos, arrecadados no primeiro semestre desse ano.
O governo socialista da França confirma, assim, suas opções em matéria de política econômica e social, levando vantagem, por enquanto, junto a seus vizinhos, os governos neoliberais da Grã-Bretanha e da Alemanha, ambos em dificuldades. Parte desse excedente fiscal será usado também para reduzir os déficits públicos, especialmente o da previdência social, cuja ministra Martine Aubry espera restabelecer o equilíbrio. A partir do ano que vem, o governo promete atacar a redução dos impostos diretos
entre eles os que incidem sobre a renda e habitação.
No ano 2000, o governo decidiu privilegiar a redução da TVA, imposto sobre mercadorias e serviços, mas que deverá incidir sobre os trabalhos de reformas de alojamentos em construção civil, caindo de 26% para 5,5%. Imediatamente, todas a empresas do setor, tipo Canforama, sentiram uma imediata e positiva repercussão na bolsa de valores. O governo decidiu também reduzir de 6 para 4 % , os direitos de transferência na área imobiliária. Já no ano passado, as taxas de tabelionato haviam sido reduzidas, estimulando transações imobiliárias. Quanto ao imposto sobre a fortuna, mais uma vez, o governo decidiu adiar qualquer redução como reivindicam os partidos de direita.
Ao mesmo, o governo está confirmando a volta do crescimento econômico, prevendo para o ano 2000, um crescimento do PIB entre 2,6 e 3% contra apenas 2,2% nesse ano. A boa gestão dos socialistas franceses dificulta, por enquanto, qualquer ruptura do governo de coalizão, isto é , um governo de esquerda e uma Presidência da República de direita exercida por Jacques Chirac. Como se sabe, o atual presidente deverá ser o candidato da direita à reeleição, enquanto o primeiro-ministro Jospin deverá representar a esquerda francesa. Hoje, nenhum dos dois tem coragem de romper essa coabitação, aprovada por uma grande maioria dos franceses.

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