São Paulo, 19 - O economista Roberto Macedo considera uma "desfaçatez" o anúncio do governo federal de que estuda novas medidas de aumento de impostos para o Orçamento da União do ano 2000. "A equipe econômica deveria se envergonhar, ficar ruborizada", disse. Se estivesse no governo, Macedo pediria demissão e acha que "seus colegas que estão lá" deveriam "pedir o boné".
Ontem, o secretário-executivo do Ministério do Orçamento e Gestão, Martus Tavares, admitiu o estudo de impostos e cortes dos gastos da União, para obter a meta de superávit primário de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2000. A partir desse comunicado do governo, Roberto Macedo acha que a proposta de reforma tributária corre o risco de ficar esquecida. Ele gostaria que o Executivo se empenhasse mais pela discussão e votação do projeto. "O tempo, no entanto, é gasto nessas briguinhas políticas e nos Campelos da vida", criticou o economista. Ele referiu-se à troca de acusações públicas entre os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e da Câmara, Michel Temer, que foi seguida de uma nova rodada de acusações entre Magalhães, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, além da indicação desastrosa, seguida de demissão, do delegado José Batista Campelo para o comando da Polícia Federal.
"Mediante uma reforma tributária, que aumentasse a eficiência e eficácia da cobrança dos impostos, daria para engolir aumento de impostos. Do jeito que está, é inaceitável", afirmou Macedo. A sonegação, que já é muito alta, só tende a crescer com uma carga tributária maior, segundo o economista. "Espero que isso não vá adiante".

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