São Paulo, 21 (AE) - O projeto do secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Gianetti da Fonseca, de criar um fundo de investimento para financiar exportações, o Invex, despertou o interesse de grande número de empresários. Para eles, o setor está carente de recursos e é um negócio promissor, capaz de atrair muitos investidores. Falta, porém, detalhar o projeto, que, para eles, foi apresentado de uma forma vaga.
É preciso definir como serão captados os recursos e quais os mecanismos que levarão à remuneração de entre 15% e 25% dos investimentos, conforme previsão de Gianetti. Esse deverá ser um dos principais temas de debate, segunda-feira, quando o secretário-executivo da Camex participa da reunião de diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Vamos tentar esclarecer se será um fundo de ações ou se serão emitidos títulos para serem comprados pelos investidores", observou o diretor da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), Giulio Lattes.
O Invex, segundo Gianetti, terá cotas negociadas pelas empresas no mercado. Deverá ser administrado pelo BNDESPar, pelo fato de o órgão ser familiarizado com a atividade e por ter credibidade e, por isso, contribuir para ampliar a confiança dos investidores no fundo.
Segundo Gianetti, o projeto de criação é só uma idéia, entre outras, com o objetivo de dar velocidade às exportações e tornar o produto mais competitivo no mercado internacional. O secretário-executivo acredita que também as empresas terão de adequar-se à realidade para participar do mercado internacional em boas condições. Devem abrir o capital e buscar recursos no mercado para melhorar e aumentar a produção.
Ao governo caberá criar instrumentos que permitam desonerar as exportações de impostos indiretos e reduzir custos, disse. Gianetti informou que pretende relançar o Programa Especial de Exportação (PEE) e convocar os 14 gerentes temáticos
que são representantes dos diversos setores de produção, para reavaliar a rotina das exportações, da produção ao embarque.
"Não há lance mágico", comentou. O incremento do comércio exterior depende de um trabalho contínuo, cujos resultados só serão colhidos no médio prazo.
Gianetti disse que será preciso "repensar" as operações de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACCs) e de Exportação (ACEs), eliminar as punições e os controles por parte do Banco Central, baixar o custo, que, na sua opinião, são ainda excessivamente elevados. "Vamos melhorar a qualidade do crédito para facilitar a vida das empresas, que vêem de um período ruim e, por isso, precisam ser revigoradas."

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