Nova York, 12 (AE-DOW JONES) - O mercado reagiu fortemente às declarações do candidato governista à Presidência da Argentina, Eduardo Duhalde. Ele disse em Buenos Aires, em uma entrevista concedida ao jornal El Clarín, que buscaria apoio do papa João Paulo II para pedir moratória de um ano para a dívida externa de países com problemas de caixa.
Na Argentina, que carrega hoje o ônus de um passivo externo de US$ 130 bilhões e deverá realizar eleições presidenciais em outubro, a dívida externa está no centro de um pesado debate político. Arrependido, Duhalde recuou em suas afirmações no fim do dia e insistiu que "as dívidas devem ser pagas". O presidente Carlos Menem disse que a Argentina vai pagar suas dívidas interna e externa e criticou "espúrios interesses políticos" do candidato do próprio partido, o Justicialista.
Como o país depende pesadamente do financiamento externo, a proposta de Duhalde - apesar de improvável - chegou a provocar um princípio de pânico no mercado. "Apelar ao papa foi a última gota", disse um analista. Segundo operadores, a migração de recursos saindo de investimentos argentinos foi tão forte que chegou a alterar os juros nos Estados Unidos. A remuneração dos títulos referenciais de 30 anos do Tesouro norte-americano recuou nove pontos-base (centésimos de ponto porcentual) e fechou a 5,91%, a menor desde 31 de maio. A Bolsa de Valores de Nova York ficou estável: o Índice Dow Jones subiu 7,28 pontos ou 0,06% para fechar a 11.200,98 pontos, um novo recorde.
A Bolsa de Buenos Aires fechou em baixa de 8,66%, com o Índice MerVal das principais ações fechando a 453,86 pontos, o menor em três meses. Foi a pior queda desde o dia 13 de janeiro, data da desvalorização do real brasileiro. Os FRB, principais títulos da dívida externa argentina, fecharam a 80,750 centavos de dólar, queda de 1,82% em relação à sexta-feira. Esses papéis chegaram a cair 2,68% e atingiram a cotação mínima de 79,80 centavos de dólar. No mercado de balcão, os contratos futuros de um ano de pesos argentinos fecharam a US$ 1,12, a maior taxa desde janeiro.
A repercussão sobre o mercado brasileiro foi forte: a Bolsa de São Paulo fechou hoje em queda de 2,04%, com o Índice Bovespa encerrando o dia a 11.273 pontos. O Ibovespa chegou a cair 3,23%
mas recuperou-se no fim do dia. Os C-Bonds, principais títulos da dívida externa brasileiros, fecharam a 61 centavos de dólar, queda de 3,75%. Esses papéis chegaram a um mínimo de 60,50 centavos de dólar, queda de 4,54%,
O dólar comercial também foi fortemente pressionado e fechou a R$ 1,834, alta de 1,89% em relação à sexta-feira. A moeda chegou a ser negociada a R$ 1,837, avanço de 2,06%.
No mercado futuro de juros, o custo do dinheiro também apresentou uma forte alta: os contratos com vencimento em setembro negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) fecharam indicando uma remuneração de 24,69% ao ano, quase três pontos porcentuais acima dos 21,87% da quinta-feira. Por causa do feriado em São Paulo, não houve pregão na BM&F na sexta-feira.

mockup