Propagandas de medicamentos põem tratamento em risco
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de agosto de 2000
Marilena Lazzarini Especial para a Agência Estado 
As propagandas de medicamentos podem interferir na recuperação dos pacientes. Isso acontece porque, com a falta de tempo para o profissional se atualizar, os anúncios estão se tornando uma das principais referências utilizadas pelos médicos, o que pode repercutir na escolha do melhor remédio para determinado problema.
Um dado preocupante é que 84% dos anúncios não trazem as mínimas informações necessárias para uma prescrição adequada. É o que concluiu um estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos, do Conselho Federal de Farmácia e pelo Projeto de Colaboração do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) com a Universidade de Brasília. Foram avaliadas 93 propagandas (61 folhetos e 32 revistas não científicas), distribuídas aos médicos nas clínicas e nos hospitais do Distrito Federal entre janeiro e março de 1999.
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, a propaganda é enganosa quando omite informações essenciais que podem induzir o consumidor a erro. Embora a indústria farmacêutica e os médicos não estabeleçam entre si uma relação de consumo, no sentido estrito da lei, o fato é que a omissão de qualquer dado imprescindível para o uso do medicamento pode indiretamente afetar o consumidor final. O estudo revelou que a maioria das propagandas não citava informações que podem restringir a indicação do remédio, como contra-indicações (73%), reações adversas (70%), precauções (74%) e advertências (84%).
Além disso, apenas 58% dos anúncios informavam para quais problemas o produto é indicado e mais da metade desses fornecia indicações diferentes das aprovadas pelo Ministério da Saúde. Nove sugeriram o uso do medicamento para finalidades que não foram aprovadas pelo órgão. Um exemplo é a propaganda do multivitamínico Dayvit, que sugere que o produto ajuda no combate ao estresse físico e mental, sem a devida aprovação necessária. Alguns dos medicamentos, cujas propagandas foram analisadas, não tinham sequer registro no Ministério da Saúde, como o tranquilizante Relaxon.
A indústria farmacêutica investe altas quantias em propaganda com o objetivo de atrair a atenção dos médicos e fazer com que eles passem a utilizar seus produtos. Segundo produtores brasileiros, as empresas chegam a gastar 18,5% do seu faturamento com anúncios.


