Propaganda antifumo fica mais rigorosa
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segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Santa Cruz do Sul, RS A indústria tabagista deve, a partir de hoje, cumprir as determinações da Resolução 335, de 21 de novembro de 2003, que traz as novas imagens de advertência que deverão ser exibidas nas embalagens de cigarro. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regulamenta o comércio de cigarros no País, deu um prazo de nove meses para o processo de readequação comercial, que inclui ainda um novo alerta antifumo e obriga os postos de venda a exibir peças publicitárias com as inéditas ilustrações.
As embalagens deverão exibir um texto combatendo a venda de cigarros para menores de 18 anos e a divulgar a seguinte mensagem: ''Este produto contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, e nicotina que causa a dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para o consumo dessas substâncias''. Além disso, as fotos perdem o caráter ilustrativo e passam a exibir casos reais de pacientes em estado grave em decorrência do consumo de cigarro.
Acostumadas com a ofensiva contra o tabagismo no País, a indústria de cigarros avalia como natural adotar a antipropaganda em seus produtos. A Philip Morris, uma das gigantes do setor mundial, que teve um faturamento no País de US$ 1,3 bilhão em 2003, alega que não terá problemas financeiros ou operacionais com as readequações das embalagens. Em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo gaúcho, onde está instalado o complexo de fábricas da multinacional suíça, o sistema de produção já obedece os novos padrões de impressão.
Segundo o diretor de assuntos corporativos da Philip Morris, Valter Brunner, a empresa se antecipou ao processo e não deve sentir os impactos das mudanças. Há mais de 30 anos no País, com mais de 2,5 mil funcionários, e responsável por 16% da produção nacional, a empresa projeta repetir o mesmo desempenho comercial dos últimos anos, apesar da cruzada governamental antitabagista. ''Nosso processo de produção está pronto para as alterações, desde a entrada do papel nos cilindros da gráfica, até os postos de venda. Não temos como mensurar se teremos prejuízos, mas desde a entrada de fotos e textos de advertência nas carteiras (dezembro de 2001) nosso volume de vendas permaneceu praticamente inalterado ao longo dos anos'', disse.
O executivo também não interpreta as novas resoluções da Anvisa como um endurecimento no comércio do setor. ''Esperamos que o governo nos deixe comunicar o que queremos a nossos consumidores'', disse. Só no Brasil, segundo dados da Philip Morris, as companhias de tabaco foram alvo de 360 processos judiciais. Apenas 16 (4,44%) deles são contra a multinacional suíça, enquanto a maioria, 306 (85%), é direcionada à principal concorrente, a Souza Cruz. As duas empresas respondem por outras 38 ações (10,56%).


