Teerã, 12 (AE-ANSA) - O líder supremo, o aitolá Ali Khamenei, condenou hoje (12) a violência contra os estudantes e a considerou "inaceitável na República Islâmica do Irã". "Esse trágico incidente feriu meu coração", disse Khamenei numa declaração à agência iraniana IRNA. As palavras do aiatolá foram lidas por um orador para milhares de estudantes reunidos na praça principal da universidade de Teerã. "Os jovens, estudantes ou não, são meus filhos e para mim é muito duro vê-los em dificuldades e perturbados. Uma passeata de cem ou duzentos jovens não justifica uma invasão em sua universidade", afirmou Khamenei. No entanto, as declarações do aitolá não acalmaram os estudantes, que arrancaram o microfone do orador. O líder supremo do país, que até então não havia se pronunciado diretamente sobre a violência policial ocorrida na sexta-feira, vem sendo duramente criticado pelos estudantes - fato inédito desde a Revolução Islâmica em 1979. Os protestos dos estudantes contra o aitolá Khamenei - quem acusam de apoiar a violência dos extremistas islâmicos - continuam aumentando. A manhã desta segunda-feira (12) foi marcada por novos choques entre estudantes e a polícia no centro de Teerã. De acordo com testemunhas, os policiais dispersaram os manifestantes com força, disparando tiros para o ar e usando bombas de gás lacrimongênio. Cerca de cinco mil manifestantes, entre eles dois mil funcionários da universidade, participaram de uma passeada do campus até a simbólica praça da Revolução. Os estudantes exigiam "a verdade" sobre as vítimas da "sexta-feira de sangue" e ameaçaram continuar com a luta. A tensão aumentou depois que um extremista islâmico disparou tiros do lado de fora do campus, sem ferir ninguém, e após uma explosão, cujas causas são desconhecidas, ter ocorrido nas imediações da vila universitária provocando pânico entre os jovens. A polícia entrou em ação quando os estudantes se enfrentaram com um grupo de extremistas islâmicos na praça Valy-e-Asr. Os estudantes incendiaram um carro da polícia e dezenas de pneus. Cerca de 80 manifestantes foram presos. Não há informações sobre feridos. Apesar da proibição imposta contra novas manifestações, um porta-voz dos estudantes disse que a "luta prosseguirá se os pedidos, em particular de conhecer a verdade sobre as vítimas, não forem atendidos". Além disso, os manifestantes querem a renúncia do chefe de polícia, o general Hedeyat Loftian, e que nesta quinta-feira (15) seja decretado luto nacional. De acordo com os órgãos de comunicação de Teerã, no interior do país também ocorreram choques. Em Tabriz, noroeste do Irã, um estudante foi morto, segundo o diário Sobh-e Emruz. Já o jornal Arya, informou que entre 10 e 15 estudantes ficaram feridos em choques com extremistas islâmicos.

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