Londrina- Os prontos-socorros do Hospital Evangélico, Santa Casa e Infantil voltam a atender os pacientes do Sistema Único do Saúde (SUS) a partir das sete horas de hoje. Os médicos plantonistas dos hospitais, que haviam paralisado o atendimento na última sexta-feira decidiram em assembleia, na manhã de ontem, retornar ao trabalho. O PS do Instituto do Câncer foi reaberto anteontem. A direção do Hospital Ortopédico também confirmou para a manhã de hoje a reabertura do PS.
A mobilização dos plantonistas dos hospitais filantrópicos ocorreu em função do atraso e suspensão do pagamento dos incentivos municipais dos plantões a distância (R$ 160,00 de sobreaviso para o período de 24 horas, mais R$ 60,00 pela consulta). A Prefeitura suspendeu o pagamento dos incentivos em julho, alegando que estes eram feitos ilegalmente com recursos do Ministério da Saúde. No primeiro dia da paralisação, o Executivo encaminhou um projeto à Câmara, que ao ser aprovado, autorizou o pagamento dos incentivos com recursos do Tesouro Municipal.
Os corpos clínicos e direção dos hospitais consideraram a abertura de um canal de negociação pela Prefeitura e a aceitação da maioria das exigências da contraproposta como pontos fundamentais para a volta ao trabalho. ''Exigimos os nossos direitos e a Prefeitura demonstrou boa vontade para assumi-los de forma possível. Além disso, temos responsabilidade social para com a população'', justificou o diretor do Conselho Regional de Medicina (CRM) e vice-presidente da Associação Médica de Londrina, Álvaro Luiz de Oliveira.
Anteontem, a Prefeitura pagou R$ 566 mil referentes à primeira parcela dos incentivos atrasados por plantões a distância e presenciais. Também se comprometeu a quitar outras cinco parcelas a partir de 16 de dezembro e estabelecer um cronograma para o pagamento dos valores referentes às Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) e demais atendimentos hospitalares que estão em atraso.
Ontem houve a primeira reunião da comissão formada por representantes do poder público, hospitais, médicos, conselho municipal de Saúde e Câmara de Vereadores para debater os contratos com os hospitais e os incentivos aos plantonistas. ''Na segunda-feira reiniciaremos os trabalhos com o levantamento de dados. O objetivo da comissão não é debater uma questão pontual, mas toda a dinâmica da prestação dos serviços de saúde em Londrina'', explicou Oliveira.
Segundo o secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, o Município pretende racionalizar os recursos destinados aos hospitais filantrópicos. ''O convênio atual - firmado em 2007 - mostrou-se frágil. Não há portaria federal permitindo o pagamento dos incentivos dos plantões a distância, por isso, caracterizou-se a duplicidade de pagamento com recursos da mesma fonte. Fomos a Brasília reivindicar o aumento no teto do repasse do SUS para Londrina e a resposta que obtivemos é que sobrava dinheiro para o município. Ou seja, há alguns ralos que precisam ser detectados'', argumentou o secretário.

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