Londrina- Sem solução para o impasse do pagamento dos incentivos atrasados aos médicos que cumprem plantão a distância (acionados em caso de urgência/emergência, de acordo com a demanda), os pronto-socorros (PSs) dos principais hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) de Londrina - Evangélico, Santa Casa, Infantil, Instituto do Câncer, e as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais e pediátricas amanhecerão de portas fechadas.

Em assembleias realizadas entre os corpos clínicos das entidades os mais de 200 médicos plantonistas - que pediram demissão dos plantões pelo SUS - não aceitaram a proposta da Prefeitura e decidiram suspender os atendimentos nos PSs a partir das 7 horas de hoje. ''A Prefeitura pediu 30 dias de prazo para pagar as parcelas atrasadas, mas há 30 dias já tínhamos tentado negociar. O problema se arrasta há quatro meses e somente agora a administração afirma que o pagamento é ilegal, sendo que o próprio secretário de Saúde já havia efetuado o pagamento do incentivo e nunca contestou. Isto é manobra para ganhar tempo'', afirmou o diretor clínico da Santa Casa, Weber de Arruda Leite.

''A Administração está procurando desculpas para não pagar a dívida e dar um calote. Todos os limites foram extrapolados. Não queremos mais aceitar trabalho escravo'', ressaltou o diretor do Hospital Evangélico, Luiz Soares Koury. Segundo o médico, os hospitais filantópicos são responsáveis pelo atendimento de cerca de 60% dos casos de urgência e emergência da região.

Em assembleia, os médicos reiteraram que não há previsão para retorno das atividades. Eles entendem que, primeiro, deve haver o pagamento imediato e integral dos valores devidos, conforme a contratualização vigente.

No ínicio da tarde de ontem, o prefeito Barbosa Neto (PDT) protocolou, na Câmara de Vereadores, projeto de lei autorizando o município a realizar o pagamento dos incentivos. A Prefeitura chegou a anunciar o depósito em juízo da dívida no valor de R$ 530 mil. Contudo, o juiz da 9 Vara Cível, Aurênio Arantes de Melo, negou o direito devido à ilegalidade na fonte de recursos.

O Ministério da Saúde alega que o uso de dinheiro do SUS para remunerar médicos é irregular. E que apenas fontes municipais podem ser aplicadas nos adicionais por plantão. O saldo acumulado retido pela Prefeitura atualmente é de R$ 2,8 milhões.

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