São Paulo, 30 (AE) - O secretário municipal dos Transportes Getúlio Hanashiro esteve hoje no Ministério Público Estadual (MPE) para apresentar sua defesa contra a denúncia de que participaria de um esquema de arrecadação de propina no sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo. Ele, no entanto, colocou uma condição aos promotores: entregaria documentos e prestaria depoimento se a Promotoria lhe repassasse o nome do autor das denúncias e o conteúdo de seu depoimento. Não houve acordo.
Hanashiro, convidado a depor, foi embora do prédio sem falar nada, com uma tabela de custo/benefício da SPTrans (São Paulo Transporte, empresa que gerencia o sistema de transporte na capital) e deve esperar agora até ser intimado oficialmente. As acusações foram feitas por um suposto empresário do setor, que está sob proteção policial.
O denunciante, que seria da empresa Masterbus, prestou depoimento de duas horas ontem (29) ao promotor Fernando Capez. Com base na denúncia e em seu depoimento, a Promotoria de Justiça da Cidadania deu início à abertura de inquérito para investigar o caso.
De acordo com o promotor Tulio Tadeu Tavares, não houve colaboração por parte do secretário. "Ele veio em busca de informações, ao invés de trazer informações", disse. "Hanashiro condicionou seu depoimento à apresentação (por parte da Promotoria) do nome e depoimento do denunciante." Tavares afirmou que o secretário deverá ser intimado para prestar declarações apenas quando a Promotoria tiver mais provas.
Hanashiro disse hoje que foi "solicitar a colaboração do Ministério Público" para identificar o denunciante e abrir um processo contra ele. Além disso, apresentou um relatório de custo/benefício na SPTrans que, segundo ele, prova que seria impossível fazer um repasse de 5%, como diz a denúncia, para liberar o dinheiro destinado aos empresários, donos de 52 empresas de ônibus na capital.
O empresário afirmou à Rede Globo que pagou propinas no valor de R$ 2 milhões. Segundo ele, a corrupção é um meio de sobrevivência para as empresas de ônibus.
Hanashiro disse ainda ter um relatório das denúncias de corrupção na SPTrans que teriam sido protocoladas no Ministério Público em sua gestão. "Não existe nenhuma maneira de burlar o repasse, todos os recursos vão para uma conta corrente própria"
afirmou. "A conta tem de estar sempre zerada." Em sua gestão, disse ele, a Secretaria Municipal de Transporteres só tomou decisões que, na maioria das vezes, não beneficiariam os empresários do setor.
Vingança - Hanashiro disse que vai processar criminalmente o autor das denúncias assim que souber o nome dele "oficialmente". "Eu sei quem é", disse. Segundo o secretário
as denúncias foram feitas por vingança. "Este empresário tem toda razão para ser contra a gente (Secretaria Municipal dos Transportes)", afirmou. "É o mesmo ódio que a Nicéa sente por Celso Pitta."
Hanashiro, que tinha em seu poder uma pasta contendo irregularidades de uma empresa de ônibus (que seria a Masterbus)
contou que a empresa do denunciante teve seu contrato quebrado por causa de irregularidades como paralisação de funcionários, falta de pagamento e falta de manutenção dos carros.
A assessoria do secretário também exibiu hoje, no Ministério Público, um vídeo com a íntegra da entrevista do secretário à Rede Globo. As filmagens foram feitas por uma produtora contratada por Hanashiro. Segundo o secretário, ele foi induzido pelo repórter a dizer que sabia de um esquema de propina entre vereadores. "Ele tentou colocar em minha boca que eu teria participação no pagamento de propinas."

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