Curitiba- A Promotoria de Defesa do Consumidor de Curitiba encaminhou nesta semana ofício às secretarias Estadual e Municipal de Saúde para que tomem providências sobre denúncias de que algumas empresas brasileiras estariam comercializando leite UHT reprocessado. Essa prática é proibida pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
As denúncias começaram a circular pela internet há cerca de dois meses. Uma mensagem, sem assinatura, apontava que o leite UHT que não é vendido no varejo voltaria para as fábricas para ser submetido a novo processamento. No e-mail, constava a informação de que o número impresso na parte de baixo da caixa varia de 1 a 5 de acordo com a quantia de reprocessamentos pelos quais teria passado o produto.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) solicitou esclarecimentos ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Mapa, que, em nota técnica, reiterou que o reprocessamento térmico do leite é proibido e argumentou que os algarismos que aparecem no fundo das embalagens referem-se à posição da bobina na máquina de envase do produto.
Além disso, o Dipoa informou que determinou às superintendências regionais do Mapa que avaliassem as condições operacionais das usinas de beneficiamento de leite. Ontem, a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde relatou que o governo estadual ainda não havia sido notificado sobre a recomendação da Promotoria de Defesa do Consumidor de Curitiba. A assessoria da Prefeitura da capital apontou que ninguém da Secretaria Municipal de Saúde poderia ser localizado para comentar o assunto.
O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Paraná (Sindileite), Wilson Thiesen, comentou ontem que nunca soube de casos de empresas paranaenses ou de outros Estados que reprocessam leite. ''Acho que seria humanamente impossível abrir caixinha por caixinha para reprocessar o produto. Acredito que isso seria até mais caro do que fazer um processamento novo'', explicou Thiesen.
Ele disse que o Sindileite retomará em 2006 uma discussão com as secretarias estaduais de Saúde e Agricultura para que seja desenvolvida uma ampla ação de fiscalização da qualidade dos leites comercializados no Estado. ''O leite do Paraná é considerado o melhor do Brasil. A manutenção da qualidade do produto é nossa maior preocupação'', afirmou.

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