São Paulo, 30 (AE) - O promotor Sérgio Seiji Shimura propôs hoje ação cautelar para o arresto dos bens do empresário Ricardo Mansur e de outros 18 ex-administradores do Banco Crefisul S.A. O bloqueio tem por objetivo evitar o desvio do patrimônio e, assim, garantir a reparação dos prejuízos causados a milhares de clientes e que somam R$ 407,653 milhões, segundo a Comissão de Inquérito do Banco Central (BC).
Em decorrência de uma série de fraudes que incluem remessa de vultosas quantias a "paraísos fiscais", o Crefisul foi levado à insolvência. O banco foi liquidado pelo BC em 23 de março. Mansur era presidente e controlador da instituição desde outubro de 1998.
A liquidação extrajudicial se estendeu também a três outras instituições controladas por Ricardo Mansur (Banqueiroz DTVM Ltda., Crefisul Leasing e Consórcio M, antigo Consórcio Mesbla). O pedido de liminar para imediato bloqueio dos bens será decidido pelo juiz Newton de Oliveira Neves, da 6ª Vara Cível da Capital, após o dia 17 de janeiro, quando retornará das férias.
Uma segunda ação cautelar de arresto foi também proposta contra Mansur, na qualidade de presidente do Banqueiroz, que, juntamente com o Crefisul, era o "braço financeiro" do grupo. A ação, proposta pelo promotor José Antonio Remédio, atinge cinco diretores do Banqueiroz. No processo, o pedido de bloqueio visa a garantir a reposição de prejuízo de R$ 25 milhões.
Na ação cautelar, o promotor Sérgio Shimura ressalta a longa lista de fraudes e irregularidades apontadas no inquérito do Bacen, praticadas pelos dirigentes do Banco Crefisul. Vários fatores contribuíram para que o Crefisul acumulasse um saldo negativo de R$ 47 milhões. Assim, a partir do primeiro semestre de 1997, iniciou-se a alteração no direcionamento dos ativos do Banco Crefisul. Houve declínio das operações de crédito, que passaram de um saldo de R$ 328 milhões (50,62% do ativo), em junho de 1997, para R$ 252 milhões (31,62% do ativo), em março de 1999.
Sendo essas operações fonte de receita tradicional dos bancos, a sua diminuição, acompanhada da deterioração da qualidade dos ativos e devedores, acarretou sensível queda no fluxo de caixa do banco. A liquidez do banco também se esvaiu em face dos investimentos em empresas coligadas, cujo saldo passou de R$ 84 milhões, em junho de 1997, para R$ 185 milhões, em março de 1999. O saldo de R$ 111 milhões corresponde aos investimentos da United Negócios S.A., que detinha inversões em empresa do exterior, no montante de R$ 87 milhões.
Foi também detectado desvio de recursos para "paraísos fiscais". Em novembro de 1997, o Crefisul vendeu terrenos em Osasco, para a empresa Affluent Assets Incorporation, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Esses bens faziam parte do ativo permanente, tendo sido vendidos por US$ 8,1 milhões, em 60 parcelas, que foram pagas até março de 1999.

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