São Paulo, 17 (AE) - A Promotoria de Justiça da Cidadania requisitou hoje ajuda do Ministério Público da França para comprovar denúncias da ex-primeira-dama Nicéa Pitta contra o prefeito Celso Pitta (PTN). O Ministério Público Estadual (MPE) quer saber quem pagou a viagem do casal a Paris, em junho de 1998.
O inquérito civil sobre o assunto já havia sido arquivado. O prefeito comprovou que pagou as passagens e hospedagem com cartão de crédito próprio. A investigação foi retomada após Nicéa ter dito que a viagem estava totalmente paga pela Vega Engenharia.
Pitta teria pago as despesas depois de ter sido informado de que a imprensa havia tomado conhecimento do esquema. Ele assistiu à estréia da seleção brasileira na Copa de 98 no camarote do Montpellier. O presidente do clube, Louis Nicollin, possui 34% das ações da Sita, empresa vinculada ao conglomerado Lyonnaise des Eaux, que comprou, em agosto de 1997, a Vega Engenharia Ambiental.
Nicollin cumpriu, em liberdade, pena de um ano por ter comprado um time de futebol em troca da concessão de coleta de lixo em uma cidade francesa.
O promotor de Justiça da Cidadania, Fernando Capez, disse que pediu ajuda ao Ministério Público francês para obter informações do Le Grand Hotel Intercontinental, onde Pitta ficou hospedado, e da Havas Turismo, que intermediou a compra das passagens aéreas. "Queremos saber quem reservou e quem pagou as despesas", explicou Capez.
Segundo o promotor, o MPE já havia requisitado as informações ao hotel e à empresa de turismo. "Eles se recusaram a responder." Com o auxílio do Ministério Público francês, a resposta é obrigatória. Capez estima que as informações cheguem à promotoria em quatro meses. "É uma prova muito importante."

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