Curitiba - O Ministério Público do Trabalho (MPT) quer indiciar e denunciar a agência de acompanhantes ''Divas da Noite'' por favorecimento à prostituição. O local foi vistoriado na noite de terça-feira pelo MP do Trabalho, Conselho Tutelar, Vigilância Sanitária e Polícia Militar (PM). De acordo com a procuradora do trabalho, Margareth Matos de Carvalho, a operação foi desencadeada depois de uma denúncia recebida por ela de que crianças e adolescentes eram exploradas sexualmente na agência. ''Não constatei a presença de adolescentes, mas percebi que o local estava complementamente irregular'', argumentou a procuradora.
No local foram encontradas dez mulheres com idades entre 18 e 23 anos. A maioria veio de Londrina atraídas por anúncios publicados na imprensa. As garotas de programa contaram que usam a agência para marcar programas sexuais com clientes no local ou em outro ponto. Elas repassam parte do valor cobrado dos clientes para a dona do sobrado, Rosane Tokarski. Cada programa custa em média R$ 100.
Margareth Matos verificou ainda que o local tinha deficiências na parte de higiene e sa© úde. A agência não tem licença da Vigilância Sanitária para funcionar e recebeu um prazo de três dias para regularizar a situação.
Outra irregularidade constatada foi a exploração sexual das mulheres. ''Vou entrar com uma ação civil pública para regularizar a situação trabalhista dessas mulheres. A proprietária da casa disse que elas são acompanhantes. Então elas terão que ser registradas como acompanhantes e receber todos os benefícios trabalhistas de qualquer trabalhador comum'', declarou a procuradora. Margareth Matos contou que algumas das garotas de programa disseram que recebem proteção para trabalhar no local. A procuradora não quis falar sobre a suposta conivência da polícia com esse tipo de crime. ''Há conivência por parte de alguns setores'', disse.
A proprietária da agência de acompanhantes, Rosane Tokarski, não quis dar entrevista. O local que funciona como prostíbulo tem alvará de funcionamento como se fosse apenas uma pensão para mulheres. ''Cinco mulheres realmente moram no local. As demais aparecem apenas para trabalhar na casa'', afirmou Margareth Matos.
O delegado geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, reagiu às declarações do promotor Dicesar Augusto Krepsky de que a polícia tem sido tolerante com a prostituição no Paraná. Krepsky é um dos promotores que investiga uma rede de prostituição em saunas e casas noturnas de Curitiba.
O delegado geral disse que existe hoje uma incapacidade de atendimento a todos os reclames da população por falta de pessoal. As discussões sobre a suposta conivência da Polícia Civil com a rede de drogas e prostituição do Paraná iniciaram após a divulgação do conteúdo de fitas com gravações de escutas telefônicas autorizadas judicialmente em uma sauna de Curitiba. Nas conversas, duas mulheres afirmavam que o proprietário da casa pagava propina para a polícia.
Sob a alegação de vistas grossas da polícia, o Ministério Público assumiu o compromisso de fazer fiscalizações em casas noturnas e bares executivos espalhados por todo o Paraná. ''Essa é a função do Ministério Público: ser fiscal da lei'', reforçou Adauto.

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