Havana, 12 (AE-ANSA) - A promotoria pediu ao tribunal regional de Havana a pena de morte para o salvadorenho Ernesto Cruz León, acusado de "terrorismo", enquanto a defesa apelou à "benevolência cubana". O tribunal, agora, dispõe de 12 dias úteis para ditar a sentença.
Na última audiência oral que foi concluída por volta da meia-noite (horário local) de quinta-feira, Cruz León declarou perante o tribunal que se deu conta durante o processo dos danos que causou.
"Pude...ouvir as testemunhas e percebi a dor e o sofrimento com que elas se expressaram Pude ver uma imagem que nunca irá sair de minha mente, a de Fabio Di Celmo, que em paz descanse", disse.
O salvadorenho pediu "perdão de coração. A única coisa que me resta pedir ao povo cubano, especialmente aos senhores da segurança do Estado, que sempre me têm feito fincar o pé em algo: tenham fé, esperança, que a benevolência cubana é grande e é a ela a que agora apelo", afirmou.
"A única coisa que me resta - acrescentou Cruz- é minha vida e é a única pelo qual apelo hoje à benevolência cubana", concluiu.
O promotor Rafael Pino Becker classificou de "irrefutáveis" as mais de 70 provas documentais apresentadas durante o julgamento que se prolongou por quatro dias e que incluiu declarações de 14 peritos e mais de 70 testemunhas.
Pino Becker disse que Cruz León agiu como "instrumento" da organização antricastrista com sede em Miami Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA).
"Este homem é o gatilho de uma arma que é financiada e dirigida pela FNCA e o exilado anticastrista Luis Posada Carriles", sublinhou o promotor.
Entre as provas, a promotoria apresentou trechos de uma entrevista à televisão americana de Posada Carriles onde ele garantiu: "Quem o contratou foi um homem que trabalha para mim".
Cruz León reagiu dizendo "é um filho da puta", ao ver o vídeo mostrado na sala do tribunal.
Daniel Ripper, advogado de defesa do salvadorenho que confessou ter explodido seis bombas em cinco hotéis e um restaurante de Havana em 12 de julho e 4 de setembro de 1997, em um dos quais morreu o comerciante italiano Fabio Di Celmo de 32 anos, pediu benevolência "porque ela não é sinônimo de debilidade".
"Não creio que seja necessária a pena de morte para demonstrar a fortaleza de nosso povo, o que a história já demonstrou. Somente há de se distinguir se é necessário anular esta pessoa mediante a justiça ou ter a esperança de que algum dia os verdadeiros culpados, ou os culpados junto a meu representante, se sentem no banco dos réus", afirmou Ripper.
O acusado pode apelar da sentência do tribunal regional e em caso de ela passar pelo supremo tribunal, restará o último recurso ao Conselho de Estado, ao qual preside Fidel Castro, o único órgão capaz de comutar esta condenação e substituí-la por uma pena de 30 anos de reclusão.

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