Curitiba - A Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público estadual, fechou ontem, em Curitiba, uma fábrica clandestina de pães que abrigava quatro funcionários em condições insalubres. Os quatro rapazes foram trazidos de Recife (PE) pelo proprietário da fábrica, Oswaldo Gutenberg Breda, há menos de um mês, com a promessa de salário e moradia. Contudo, eles estavam sem lugar para morar e por isso se instalaram na própria fábrica. Três deles dormiam dentro de um forno.
Segundo o promotor da PIC, Pedro Carvalho Santos Assinger, a fábrica não tem alvará de funcionamento, é um local sem condições físicas e higiênicas para se produzir alimentos e não tinha nenhum dos seus funcionários registrados no Ministério do Trabalho. Além dos quatro trabalhadores de Recife, a fábrica tinha mais cinco funcionários. ''O proprietário foi preso em flagrante por aliciamento e a Vigilância Sanitária já interditou o local e vai destruir todos os alimentos encontrados'', explicou.
''Fomos chamados pelo irmão do Oswaldo, que mora em Recife. Ele disse que a gente ia ganhar R$ 300 e moradia sem descontar do salário. Para nós, que estávamos sem boas oportunidades lá, era uma boa'', conta Kleinio de Holanda Gonçalves, 23 anos. Quando a PIC chegou, Gonçalves estava dormindo em um colchão, dentro de um forno de assar pão. Aparentemente, o proprietário da fábrica iria pagar o salário dos rapazes, uma vez que eles já haviam pego vales (pequenos adiantamentos) e só iam completar o mês de trabalho na próxima terça-feira.
A intenção dos rapazes era pegar o primeiro salário e alugar um casa para morar juntos. ''Estava muito desconfortável morar lá. Se soubéssemos que não ia ter moradia não teríamos vindo'', afirma Dejair Gomes da Silva, 27 anos. Gonçalves, Silva, Nailton Jacinto de Albuquerque, 18 anos, e Eduardo Nascimento, 24 anos, vão ser encaminhados a um abrigo da Prefeitura de Curitiba. Passagens serão providenciadas para que eles possam voltar para Recife. Porém, somente Nascimento afirmou que vai mesmo voltar. ''Ainda queremos uma boa oportunidade aqui'', diz Silva. Para Breda, será arbitrada uma fiança.

mockup