Curitiba- Há indícios de maus-tratos aos adolescentes apreendidos no Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. A suspeita é da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) do Ministério Público (MP) estadual com base em depoimentos prestados por adolescentes. A PIC está, desde a última segunda-feira, ouvindo os principais suspeitos de estarem envolvidos na rebelião que culminou na morte de sete meninos na sexta-feira da semana passada. O MP quer apurar o que levou aos assassinatos enquanto a Polícia Civil está apurando os culpados pelas mortes.
A PIC deve ouvir, até sexta-feira, pelo menos 30 adolescentes, funcionários e a diretoria do educandário. Segundo o promotor da PIC, Dartagnan Abilhôa, que comanda as investigações, além de apurar o que aconteceu no local, o MP vai passar a fazer visitas periódicas, de pelo menos dez em dez dias, ao educandário para acompanhar o que acontece lá dentro. Com essa medida, Abilhôa acredita que podem ser evitadas situações que acabam em tragédias como a da semana passada. ''Vamos acompanhar mais de perto a segurança do local e o tratamento dado aos adolescentes'', afirmou.
Hoje a PIC deve ouvir os 17 adolescentes que estão na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP). No dia das mortes, eles foram retirados do educandário por medida de segurança, uma vez que supostamente são os cabeças da rebelião. ''Hoje (ontem) tivemos apenas uma conversa informal com eles. Amanhã (hoje) colheremos os depoimentos oficiais'', explicou.
O presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) órgão do governo do Estado responsável pelos educandários , José Wilson de Souza, afirmou que até ontem não havia resposta do governo do Estado ao pedido de contratação de 44 funcionários em regime de urgência. ''Mas ainda estamos dentro do prazo. Até o fim da semana devemos ter uma posição.''
As obras de recuperação do prédio estão adiantadas, segundo Souza, e ''tudo deve se normalizar até sexta-feira''. O presidente do Iasp disse ''que os adolescentes que estão na PEP também devem voltar, com segurança, até o fim da semana''. O promotor da PIC afirmou que só será permitida a volta dos 17 meninos se realmente comprovada a segurança do local.
A Polícia Civil deve ouvir hoje os depoimentos dos adolescentes ontem.

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