A Promotoria de Investigação Criminal (PIC) ofereceu ontem denúncia contra todos os envolvidos na morte do universitário Rafael Zanella, 20 anos, dia 28 de maio, em Curitiba, durante operação policial. Entre as nove pessoas responsabilizadas estão o autor confesso do tiro que matou o estudante, o motorista Almiro Schmidt, e os delegados do 12º Distrito Policial Maurício Fowler e Francisco da Costa, que teriam tentado esconder o crime.
Os agentes do 12º DP Aírton Adonsk Júnior, Jorge Bressan, Reinaldo Siduovski, que conduziram a operação, também foram indiciados. Junto com Schmidt, eles já estão presos na Divisão de Segurança e Informações. O estudante Guilherme Vieira Doni, que acompanhou a ação, foi outro denunciado. O investigador Daniel Santiago Cortes e o escrivão Carlos Henrique Dias completam a lista.
A denúncia contra os informantes Schmidt e Doni diz que ambos agiam como policiais civis, vestiam uniformes da corporação, carregavam armas e até abordavam suspeitos com permissão dos delegados Fowler e Costa. Foi exatamente ao abordar os ocupantes do Escort dirigido por Zanella que Schmidt atirou na cabeça do estudante. Adonsk, Bressan e Siduovski insinuaram que o universitário seria traficante de drogas e havia reagido à bala.
Investigação do delegado corregedor Gílson Algauer mostrou que a tese dos policiais era resultado de uma farsa. Segundo ele, os agentes do 12º DP teriam ‘plantado’ 500 gramas de maconha no carro de Zanella para incriminar a ele e mais três colegas: Odair Ferreira da Silva, Marcos Valduga e Wilson Gevaerd, o Camarão. Aliás, o objetivo da operação no bairro de Santa Felicidade era o de prender Camarão, suposto traficante. Até ‘iscas’ foram usadas nesse sentido.
A prisão preventiva de Schmidt, Adonsk, Bressan e Siduovski foi decretada no último dia 12 pelo juiz Fernando Ferreira de Moraes, da Central de Inquéritos. O delegado Maurício Fowler, que teria pressionado os amigos de Zanella a confirmar a versão da polícia sobre o crime, chegou a ser detido, mas conseguiu um habeas corpus para responder ao processo em liberdade. Os demais envolvidos são acusados de omissão no caso.

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