Promotoria denuncia 31 mortes na fila da UTI
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quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Pelo menos 31 pessoas que deram entrada no pronto-socorro do Hospital Municipal de Ponta Grossa, de setembro de 2004 a julho deste ano, morreram à espera de vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O levantamento é do promotor do Ministério Público (MP) estadual, Fuad Faraj, que, desde 2003, trava uma batalha judicial para pressionar o governo do Estado a melhorar as condições do atendimento de alta complexidade da região.
Faraj não considerou nesse balanço os dois pacientes com derrame cerebral, que morreram recentemente: um que havia sido transferido de Irati e, no último domingo, não resistiu à espera de quase 20 horas e outro que morreu, anteontem, em Castro, depois de aguardar uma vaga por cerca de 24 horas. Maria Dolores Bueno, 62 anos, estava internada no Hospital Ana Fiorilo Menarin, estabelecimento onde o Estado anunciou a instalação de 10 leitos de UTI.
A ação proposta pelo MP, em 2003, foi reavivada, esta semana, com uma nova petição e pedido de liminar para que o governo do Estado providencie a transferência imediata dos pacientes que precisarem atendimento de alta complexidade para hospitais que tenham essa condição, mesmo que, para isso, seja necessária a contratação de leitos particulares. ''A negativa de atendimento é o mesmo que assinar a sentença de morte desses pacientes'', destacou.
Na mesma ação, Faraj aponta a necessidade de investimentos ''melhor planejados'' em hospitais de alta complexidade. Ele afirmou que não desmerece as melhorias já feitas em termos de ampliação do número de leitos, mas reforça que é preciso investir em estabelecimentos que tenham corpo clínico bem estruturado, equipamentos de diagnóstico, centro cirúrgico e UTIs adequadas.
A ação principal tramita na 3 Vara Cível de Ponta Grossa, mas o juiz titular, Francisco Carlos Jorge, disse que ainda não recebeu a nova petição.
A Secretaria de Estado da Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa, respondeu com números as críticas em relação à falta de UTIs. O governo alega que ampliou de 782 para 929 o número de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado, além de ter contratado outros 103 leitos particulares, que servem de reserva técnica.


