Promotoria da Califórnia rejeita acordo com brasileiro8/Mar, 16:04 Por Renan Antunes de Oliveira Modesto, EUA, 8 (AE) - No terceiro dia do julgamento do brasileiro Wedson de Morais, hoje, na Corte Superior de Stanislaus, no Norte da Califórnia, a promotoria rejeitou acordo com a defesa pelo qual Morais reconheceria a culpa por dois assassinatos, em troca de uma pena de 50 anos. O Júri deve decidir o caso dentro de três semanas. Morais, de 36 anos, era casado com a professora americana Jean Cardoza, com quem tem dois filhos. Seu crime: em 13 de janeiro de 1997, ele teve um acesso de fúria durante uma discussão doméstica - usando facas de cozinha, matou os avós da esposa, feriu a sogra e tentou sucidar-se. Depois do incidente, Jean obteve o divórcio e a custódia das crianças. Segundo o promotor John Goold, o acordo não foi possível porque "o povo quer Justiça, as vítimas eram dois pilares da sociedade local; só a pena de morte é apropriada". Ele aposta que convencerá os jurados: "A polícia prendeu Morais em flagrante, a culpa está bem estabelecida", confia. O estopim do incidente teria sido a cobrança, pelos avós de um empréstimo de 700 dólares. É por causa do dinheiro envolvido na disputa que as autoridades acusam o brasileiro de ter premeditado o assassinato, causa suficiente para o pedido de pena de morte. Hoje, entretanto, a Corte Superior liberou vários testemunhos que lançam nova luz no caso. Jean admitiu que na discussão que precedeu ao crime, os avós, Gerrald e Amelia Hunt, teriam exigido que ele se divorciasse, retornasse ao Brasil e deixasse os filhos nos EUA. O advogado Nicholas Palmisano, defensor do brasileiro, não quer revelar os argumentos que usará para tentar uma sentença menor do que pena de morte. Um gesto pode ser fazer Morais testemunhar sobre os conflitos domésticos para conseguir alguma simpatia dos jurados - coisa difícil dada a natureza do crime. Ele esfaqueou mais de 10 vezes cada uma das vítimas, dois professores aposentados, ambos de 79 anos. Palmisano disse que "por enquanto, apenas espero vesti-lo melhor para as sessões do tribunal, para espantar a má impressão". Providência acertada: num dia o brasileiro foi com o uniforme da prisão, acorrentado. Noutro, de camiseta e barba por fazer. Sem o acordo entre promotoria e defesa, o juiz Glenn Richtey inicia amanhã a segunda fase do julgamento. Não foi fácil encontrar 12 jurados isentos, dada a alta repercussão do caso não só em Newman, cidade onde ocorreu o crime, mas em toda comarca de Stanislaus, localizada 150 quilômetros ao Leste de San Francisco. A seleção teve 88 pessoas, exceto moradores de Newman, excluídos porque as vítimas eram admiradas pela maioria dos 6 mil habitantes do lugar. Na cidadezinha, três anos depois do crime, o sentimento popular de revolta contra Morais ainda é grande. Uma dezena de rápidas entrevistas nas ruas, durante os primeiros dias do julgamento, não produziu nenhum voto a favor de poupar a vida do brasileiro. Pesquisas na região mostram o povo majoritariamente a favor da pena de morte para casos de assassinato. No caso do crime cometido por Morais, o povo já falou. O barbeiro Will Forbus, em geral contra a pena, diz que dessa vez é diferente: "Eu conheci o casal Hunt. Eram os melhores da cidade. Se o crime deles ficar impune, não haverá mais paz neste lugar". Virginia Villarreal, balconista de uma ótica: "Pena de morte, sem dúvida. Deve ser olho por olho e dente por dente". O português João Simas, aposentado, também é pela pena máxima: "Aqui era um lugar pacífico, um paraíso, agora não é mais" .