Maurício Borges
Em nota oficial distribuída à imprensa, os três promotores de Justiça da Comarca de Ivaiporã (140 km ao sul de Apucarana), anunciaram ontem que passam a acompanhar e investigar minuciosamente a denúncia de envolvimento de policiais civis em furto de gado da Fazenda 7 Mil. A propriedade, de 5.700 alqueires, está ocupada pelo MST desde abril de 1997. A nota é assinada pelos promotores Révia Aparecida Peixoto de Paula Luna, Márcio Pinheiro Dantas Motta e João Milton Salles.
Os acusados são o escrivão José Maria Anacleto, da delegacia de Ivaiporã, e Paulo Cesar Bueno, que é 1º suplente de delegado em exercício, no município de Arapuã. Ambos foram indiciados no inquérito policial e afastados de suas funções, por determinação do Departamento de Polícia do Interior (DPI).
De acordo com o pecuarista Ademar Begnini, proprietário da Distribuidora de Carnes Frigoeste, de Guarapuava, os dois intermediaram o negócio com líderes dos sem-terra. Lideranças do MST afirmam que os envolvidos não pertencem ao movimento. Begnini foi preso e autuado em flagrante como receptador das 32 cabeças de gado que, na madrugada do dia 3 de junho, estavam sendo retiradas da 7 Mil.
O cerco e apreensão dos veículos e animais foi realizado por agentes da 2ª Companhia da Polícia Militar de Ivaiporã. Para os PMs ficou evidenciado que José Maria Anacleto e Paulo Cesar Bueno, com um veículo da Polícia Civil, estavam dando cobertura na retirada do gado.
Os promotores disseram que ontem foram informados oficialmente sobre os fatos. ‘‘Já estamos tomando todas as providências necessárias para elucidar o caso e levar os responsáveis a julgamento’’, afirmam.

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