Promotores fazem segunda vistoria
Promotores fazem segunda vistoria
O Ministério Público reiniciou ontem uma vistoria completa no acampamento do MST em Curitiba para verificar as condições de infra-estrutura e higiene a que crianças e idosos estão sendo submetidos. Participaram da vistoria cinco promotores de Justiça. Esta foi a segunda vistoria realizada no local - a primeira foi feita entre os dias 24 e 25 de junho. Na primeira vistoria verificamos que as instalações estavam adequadas e que as crianças estavam recebendo atendimento médico e educacional, afirmou Alfredo Nelson da Silva Baki, promotor da Infância e da Juventude.
De acordo com ele, a morte do bebê Gabriel Kais, de 9 meses, no dia 28 de junho, acelerou o retorno dos promotores ao acampamento. Voltaríamos aqui de qualquer forma, mas a morte de uma criança, mesmo que tenha sido causada por problemas adversos ao frio, nos trouxe para uma nova verificação in loco, disse Baki. A meta da promotoria, diz ele, é orientar os pais e proteger as crianças e os adolescentes.
O promotor do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente, Murilo José Digiácomo, disse que o Ministério Público não pretende retirar crianças ou idosos do acampamento. A nossa responsabilidade é garantir a melhor permanência possível deles aqui, verificando se eles correm riscos e cobrando melhor estrutura por parte do governo do Estado, afirmou Digiácomo.
Segundo Rosana Beraldin Bevervanço, coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa dos Direitos dos Idosos e Portadores de Deficiência, a intenção da vistoria é identificar as possíveis irregularidades e orientar as lideranças do MST sobre a melhor forma de acomodação dos idosos (trabalhadores com mais de 65 anos).
Valentin Doralino Rodrigues dos Santos, um dos coordenadores do acampamento, disse ontem que das 800 pessoas acampadas no local, 20% têm mais de 50 anos e 140 são crianças de até 12 anos. A maior parte destas crianças foi encaminhada para a Casa do Trabalhador, no Pinheirinho e para a Casa Latino-Americana, no São Francisco.
Retiramos as crianças para que possam estudar nos abrigos e ter a companhia da mãe à noite, num local seco e sem riscos, afirmou ele. Os abrigos também foram vistoriados ontem pelo Ministério Público, que pretende apresentar hoje um relatório completo sobre as condições de permanência dos sem-terra no acampamento. (L.P.)





