Promotores entregarão à CPI documento sobre tráfico
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 11 (AE) - Um documento de 28 páginas, contendo informações sobre o tráfico de drogas em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, elaborado por 11 promotores criminais, será entregue amanhã (12) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara Federal. O dossiê, analisa mais de cem processos envolvendo o tráfico nos últimos dois anos e conclui que apenas os pequenos traficantes são presos pela polícia.
Os promotores consideram falho o trabalho policial, pois não efetua grandes apreensões, embora o volume distribuído na cidade seja significativo. Segundo o promotor Antônio Domingues Farto Neto, um dos que assinam o documento, 90% dos casos que chegam à Promotoria são de traficantes de pouca expressão, a grande maioria sem antecedentes criminais.
Cerca de 50% dos envolvidos não têm o primário completo, 48% têm até a 8.a série e apenas 1%, nível universitário. Os promotores concluíram que há vários grandes fornecedores abastecendo os distribuidores de drogas. Segundo o documento, eles não são presos porque o Estado e a polícia não têm estrutura para resolver crimes do colarinho branco. Os promotores mencionam denúncias "isoladas" sobre o envolvimento de policiais no crime organizado, mas afirmam que estas sempre ficaram no "plano teórico". Uma cópia do documento será enviada à comissão da Assembléia Legislativa do Estado que também investiga o narcotráfico. O delegado-diretor da Polícia Civil em Sorocaba, Maurício José Lemos Freire, disse que a polícia está cumprindo o papel no combate aos pequenos traficantes. Quem deve agir contra os grandes traficantes é a Polícia Federal (PF), segundo ele.


