São Paulo, 13 (AE) - Na opinião de promotores de Justiça da Infância e Juventude, as acusações de que a promotoria estaria indicando internações de infratores sem critérios serve como desculpa para a ausência de uma política de reeducação, ineficiência e falta de investimentos do Estado na criação de vagas. "Os adolescentes internos praticaram atos graves, como homicídios, latrocínio e estupro", disse o promotor Ebenezer Salgado Soares. "Como vamos deixar menores perigosos livres?" De acordo com dados do Ilanud (órgão de direitos humanos), entretanto, apenas 4,7% são internados por homicídio. A maioria, 59%, cumpre pena por roubo.
Segundo o promotor Wilson Tafner, pelo menos 1.300 jovens passam pelas quatro varas da capital, todos os meses, por terem cometido atos infracionais e só 17% saem com sentenças de internação. "Desses, 60% são reincidentes". De acordo com o promotor, em 31 de agosto 813 menores que estavam na unidade Imigrantes da Febem já tinham sentenças definitivas de internação. Esse contingente deveria ter sido transferido para outras unidades, já que o local é para estada provisória. "Apesar disso, alguns jovens ficam meses esperando transferência".
Para o promotor, outro fator que agrava os problemas da superlotação é a inexistência de abrigos para infratores no interior. "Se os sentenciados e os jovens de outras cidades fossem transferidos, o número de internos na Imigrantes estaria bem próximo do aceitável".

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