Sorocaba, SP, 11 (AE) - Um documento de 28 páginas contendo informações sobre o tráfico de drogas em Sorocaba (SP), elaborado por 11 promotores criminais, será entregue amanhã (12) à CPI do Narcotráfico da Câmara. O dossiê analisa mais de 100 processos envolvendo o tráfico nos últimos dois anos e conclui que apenas os pequenos traficantes são presos pela polícia. Os promotores consideram falho o trabalho policial, pois não efetua grandes apreensões, embora o volume distribuído na cidade seja significativo.
Segundo o promotor Antônio Domingues Farto Neto, um dos que assinam o documento, 90% dos casos que chegam à promotoria são de traficantes de pouca expressão, a maioria sem antecedentes criminais.
Cerca de 50% dos envolvidos não têm o primário completo, 48% têm até a oitava série e apenas 1%, nível universitário. Os promotores concluíram que há vários grandes fornecedores abastecendo os distribuidores da droga. Segundo o documento, eles não são presos porque o Estado e a Polícia não têm estrutura para resolver crimes do colarinho branco. Os promotores mencionam denúncias "isoladas" sobre o envolvimento de policiais no crime organizado, mas afirmam que estas sempre ficaram no "plano teórico".
Uma cópia do documento será enviado à comissão da Assembléia Legislativa do Estado que também investiga o narcotráfico. O delegado-diretor da Polícia Civil em Sorocaba, Maurício José Lemos Freire, disse que a polícia está cumprindo seu papel no combate aos pequenos traficantes. Quem deve agir contra os grandes traficantes é a Polícia Federal, segundo ele.

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