São Paulo, 31 (AE) - Os promotores Ebenézer Salgado Soares e Sueli Riviera realizaram, hoje à tarde, uma vistoria no Cadeião de Pinheiros, para onde 550 menores da Febem Imigrantes foram transferidos. Eles permaneceram quatro horas no local e concluíram que os menores estão em instalados em melhores condições do que a Febem oferecia no Complexo Imigrantes.
Os garotos estão agrupados em quatro alas, de 30 metros quadrados, que abrigam diversas celas. De acordo com os promotores, cada cela tem oito beliches e espaço para dois colchões no chão, para acomodar dez garotos. "Agora, eles podem tomar banho e têm mais espaço", afirmou Soares. "Enquanto fazíamos a vistoria, vimos alguns menores jogando bola no pátio da cela", completou Sueli.
Além de checarem o local, os promotores também conversaram com os menores. "Muitos ainda estão chocados com que viram na rebelião." Segundo Soares, a maioria apresenta lesões no corpo, causadas principalmente por queimaduras. "Os internos se queixaram de terem sido agredidos pela Tropa de Choque, durante a rebelião", relatou o promotor. "Precisamos averiguar, pois só trabalhamos com provas", declarou Sueli.
O padre Júlio Lancelotti, que esteve no Cadeião à tarde, disse que também ouviu reclamações por parte dos internos. "Eles garantem que, depois da rebelião, os policiais não os deixavam dormir e batiam muito neles", conta. "Esse tipo de tratamento não leva à nada." O padre Lancelotti disse que conversou - e rezou - com cerca de 300 detentos do local.
Maus-tratos - A assessora da presidência da Febem, Alcione Helena Borner Campos - que assumiu interinamente o Complexo Imigrantes -, desmentiu a acusação de maus-tratos no dia da rebelião. "Quando conversei com os menores, eles não me relataram maus-tratos", afirmou. "Isso não ocorreu."
Segundo ela, os internos apresentam marcas pelo corpo que teriam sido feitas por outros detentos ou provocadas em rebeliões anteriores. Alcione concorda que o sistema da Febem precisa ser modificado para se obter uma ressocialização dos menores.
Hoje, um grupo de médicos-legistas foi ao Cadeião de Pinheiros para realizar o exame de corpo de delito e detectar a origem dos ferimentos dos menores. O Ministério Público vai colher os depoimentos dos garotos a partir de quarta-feira.
Apesar da rebelião e da destruição de documentos na Febem da Imigrantes, os representantes do Ministério Público informaram que a análise dos processos judiciais terá continuidade. "Começaremos a verificar os relatórios dos meninos da ala Unidade Educacional 4 (da Imigrantes), que não participaram da rebelião", adianta Sueli. Os menores deverão permancer no Cadeião de Pinheiros nos próximos 15 dias.
Furto - No segundo dia de visitas aos menores transferidos para o Cadeião de Pinheiros, muitos pais ainda buscavam notícias dos filhos. O horário de visita teve início às 10 horas. O movimento em frente do Cadeião foi mais tranquilo que o registrado no dia anterior. Por volta das 13 horas, o interno A. C, de 17 anos, foi libertado. Preso por furto, o garoto permaneceu na Febem Imigrantes durante um mês. "A rebelião foi um inferno." Transferido para o Cadeião na semana passada, sua opinião sobre o lugar diferia da dos promotores. "Todo lugar é ruim."

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