Berlim, 25 (AE-AP) - Um suposto fluxo suspeito de dinheiro proveniente da França para auxiliar a campanha de reeleição de Helmut Kohl em 1994 volta muitos anos no passado para que as autoridades alemãs iniciem uma investigação criminal, disse um promotor nesta terça-feira (25).
A acusação de ingresso de dinheiro oriundo de um acordo comercial franco-germânico nos cofres da União Democrata Cristã (CDU, pela sigla em alemão) é o elemento mais recente no escândalo de financiamento de campanha que levou Kohl e seu partido a uma grave crise.
Mas o perigo de uma investigação por parte da justiça retrocedeu nesta terça-feira quando um promotor de Bonn, antiga capital alemã, disse que as acusações relacionadas aos eventos têm mais de cinco anos, de acordo com um estatuto de limitações em investigações de corrupção, e já caducaram.
"Não vejo nenhum motivo para mover o processo", disse por telefone o promotor Bernd Koenig.
Os promotores de Bonn já investigam possíveis acusações contra Kohl e dois de seus ex-assessores, mas o processo envolve doações de campanha ilegais posteriores admitidas pelo ex-chanceler alemão.
Reportagens veiculadas por emissoras de televisão de França e Alemanha informaram durante o fim de semana que o ex-presidente francês François Miterrand organizou o pagamento de 30 milhões de marcos (equivalente a US$ 15,7 milhões) aos democratas-cristãos em 1992 para ajudar na campanha de seu amigo Kohl. Um porta-voz do ex-chanceler negou as acusações.
Segundo a reportagem, o dinheiro era parte da verba destinada de 85 milhões de marcos (US$ 44 milhões) para a aquisição da refinaria de Leuna, na ex-Alemanha Oriental, por parte da francesa Elf Aquitaine em 1992.
Promotores franceses e suíços investigam a venda da refinaria de Leuna. Mas fontes jurídicas francesas, falando em condição de anonimato, disseram ontem que investigadores não encontraram ligações entre a Elf e o partido de Kohl.

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