Promotora teme aumento na violação de direitos
Se a sociedade brasileira não se preparar para o rápido envelhecimento da população, vai haver uma violação de direitos humanos sem precedentes na história do País. Essa é a opinião da promotora Rosana Beraldi Bervervanço, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias do Idoso do Ministério Público do Paraná. Segundo ela, o Paraná e o Brasil não tem estrutura suficiente para acolher e cuidar das pessoas que estão envelhecendo. "O mais preocupante é que pouco tem sido feito em relação às demandas existentes", critica.
Umas das reivindicações do MP é a instalação de uma Delegacia do Idoso no Estado, para atender os idosos de forma especializada e investigar os crimes contra eles. Além disso, as promotorias cobram o desenvolvimento de políticas públicas que prevejam atendimentos alternativos ao asilamento, como é o caso dos centros-dia, em que os atendidos retornam às suas casas ao final do período. "Muitos idosos estão asilados sem necessidade", aponta. Garantir a acessibilidade, prevenção da violência e atendimento pleno em saúde são outras cobranças do órgão.
Abandono afetivo
Claudia Foltran, coordenadora estadual de políticas da pessoa idosa da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Seds), destaca que é dever da família arcar com a responsabilidade sobre o idoso, mesmo que seja através de cuidadores profissionais. "O que não pode acontecer é o abandono afetivo", diz.
Segundo ela, o governo do Estado está diagnosticando as condições de atendimento dos municípios para investir na capacitação de recursos humanos e familiares para o cuidado com essa parcela da população. Outro plano é investir em alternativas ao asilamento, como está previsto no Plano Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, que tem prazo de quatro anos para ser posto em prática. "Atendimento em saúde e ações de segurança pública para coibir a violência são outras prioridades", revela.
Para José Araújo da Silva, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, devem ser prioridades das políticas específicas para esta população que soma 1,3 milhões de pessoas no Paraná a criação de mecanismos para melhorar os serviços, seja em atendimento em saúde, educação, trabalho e assistência social. (C.A.)





