Promotora pede pena de 100 anos em júri no Pará
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sexta-feira, 29 de agosto de 2003
Carlos Mendes<br> Especial para a Agência Estado 
Belém - A promotora Rosana Cordovil pediu cem anos de prisão para o comerciante Amailton Madeira Gomes e para o ex-policial Carlos Alberto dos Santos Lima, ambos acusados de sequestro, tortura, castração e morte de cinco meninos de Altamira (PA), entre 1989 e 1993. ''A sociedade exige justiça e as provas contidas nos autos apontam para os dois acusados e outros que ainda vão sentar no banco dos réus'', afirmou. A sentença deveria ser conhecida ainda na noite de ontem. Até às 21 horas, o julgamento não havia terminado.
A defesa tentou durante todo o tempo desqualificar as sete testemunhas da acusação. Os advogados Jânio Siqueira, Hercílio Carvalho e Marilda Cantal, defensores dos réus, pediram aos jurados que não se deixassem levar pelo ''circo sensacionalista'' que foi armado no tribunal para condenar seus clientes. ''Não há uma só prova capaz de incriminá-los'', disse Siqueira.
Segundo a promotoria, Gomes tinha comportamento agressivo, usava drogas e é considerado pela família uma pessoa estranha. Um trecho do livro de Valentina Andrade principal acusada dos crimes e que ainda será julgada despertou o interesse de Gomes, que escreveu em seu diário que crianças teriam de ser sacrificadas. ''Ele atraía as crianças para a mata e o réu Carlos Alberto participava dos sacrifícios humanos, agindo com extrema crueldade'', acusou Rosana.
Lima, reconhecido por dois meninos que sobreviveram, segundo a promotora, participava de rituais de magia negra na chácara de Valentina. A acusação ainda lembrou aos jurados que Lima também foi reconhecido pela conselheira tutelar Sueli de Oliveira Matos, a quem teria confessado os crimes, apontando Gomes como um dos autores.
A professora Rosa Pessoa, de 45 anos, passou os últimos 13 anos atormentada por uma dúvida: por que o filho dela, Jaenes Pessoa, de 9 anos, foi sequestrado, torturado, teve os órgãos genitais retirados a sangue frio e finalmente foi assassinado a golpes de facão?
''Sempre me pergunto como alguém pôde praticar uma crueldade dessas, vendo crianças sofrerem até a morte'', diz Rosa. Ela confessa ter inicialmente sentido muito ódio dos criminosos, mas, depois, entendeu que a melhor maneira de combater o que sentia era se unindo às outras mães das vítimas para lutar contra a impunidade dos acusados.
''Fui e ainda sou ameaçada por lutar para ver esses poderosos na cadeia. Como não tenho dinheiro, fiz da coragem a minha arma'', afirma. ''A minha dor é imensa e só a punição dos culpados poderá aliviá-la.''


