Promotora acredita na condenação
Curitiba - O júri é composto por sete pessoas, cinco delas mulheres. A promotora Rosana Cordoril tem como arma principal de acusação fitas de vídeo gravadas em 1990 e cuja autenticidade já foi comprovada por peritos e que mostram Valentina presenteando o então marido argentino com uma pistola nove milímetros. Na fita, ela diz que ''as balas são de prata, para matar vampirinhos''. Em outro trecho, ela participa de uma suposta representação dos atos contra as crianças, que tinham os órgãos genitais tirados com instrumento cirúrgico.
Outro ponto que pesa para a acusação é o fato dos outros quatro acusados terem sido condenados. O ex-policial militar Carlos Alberto dos Santos foi considerado culpado pelo Tribunal do Júri por um homicídio e duas tentativas e recebeu pena de 35 anos de prisão. O comerciante Amailton Madeira Gomes foi considerado responsável por três homicídios e foi condenado a 57 anos de prisão. O médico Anísio Ferreira de Souza foi condenado a 77 anos de reclusão pela participação em três assassinatos e duas tentativas de homicídio. O também médico Césio Flávio Caldas Brandão foi condenado a cumprir 56 anos de prisão em regime fechado pelo envolvimento em três homicídios triplamente qualificados e por uma tentativa de homicídio.
Ao todo são 19 testemunhas que irão depor no julgamento. O depoimento mais esperado é o de Edmilson Frazão, que afirma ter sido apresentado para Valentina em 1992 na chácara de Anísio de Souza. Na ocasião, estaria sendo realizado um ritual macabro. Outro depoimento considerado importante e que foi rejeitado ontem a pedido da defesa de Valentina era a do porteiro Eli Pacheco, que teria conhecido a acusada em 1988, quando os crimes começaram. ''Mesmo sem o depoimento dele, temos provas suficientes para condená-la'', apostou a promotora.
A defesa conseguiu também ontem retirar dos autos três volumes que tratavam sobre o desaparecimento do paranaense Leonardo de Melo e Silva, que teria ligação direta com Valentina. O caso está sendo investigado no Paraná pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) e já teria comprovado a participação da gaúcha. Leonardo era de Umuarama e foi visto pela última vez em 2000. Pelo menos mais um caso de desaparecimento no Paraná teria ligação direta com a seita LUS, segundo investigações da Polícia Civil: o desaparecimento de Leonardo Bossi, de sete anos, que sumiu no dia 15 de fevereiro de 1992. (L.P.)





