Promotor torceu pela inocência de casal
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quinta-feira, 08 de maio de 2008
Folhapress 
São Paulo- O promotor Francisco Cembranelli, que denunciou formalmente à Justiça o pai e a madrasta de Isabella, Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, como acusados pela morte da menina, afirmou ontem que chegou a torcer para que o casal fosse inocente.
''Desde o início da investigação usei a palavra cautela, porque era importante que fosse tudo feito de maneira a apontar o verdadeiro ou verdadeiros culpados. Nunca houve um objetivo do Ministério Público de responsabilizar o casal. Aliás, como cidadão e como pai até torci para que a prova não indicasse que eles estivessem envolvidos, mas não foi isso que a investigação revelou'', disse o promotor.
Alexandre e Anna Carolina foram presos anteontem após terem a prisão preventiva decretada pela Justiça. Eles se entregaram à Polícia Civil cerca de quatro horas depois -por volta das 22h30- de receberem a informação da decisão do juiz Maurício Fossen. Para Cembranelli, Isabella foi asfixiada pela madrasta e jogada do apartamento pelo pai. Na denúncia, entregue terça-feira à Justiça, Cembranelli também responsabiliza o casal por fraude processual -por ter alterado a cena do crime.
'Assassina'
Tumulto e protesto marcaram a chegada de Anna Carolina Jatobá à Penitenciária Feminina, no Carandiru, na manhã de ontem. Assim que a madrasta de Isabella Nardoni pisou no prédio da administração da unidade, as detentas bateram nas grades e gritaram: ''Assassina, assassina''.
As presas não querem Anna Carolina nem no seguro (isolamento), onde ficam as detentas juradas de morte. Por isso, a unidade reservou para ela uma sala no prédio da administração, perto do gabinete do diretor-geral, Maurício Guarnieri.
No chão da quadra de futebol do Pavilhão 2, as detentas escreveram, apagaram e reescreveram frases como: ''Isabella, presente do Dia das Mães''. Por algum tempo, foi colocada uma faixa com os dizeres: ''Assassina maldita.''
Outra presidiária afirmou que, por causa da chegada de Anna Carolina, a entrega de pacotes com alimentos e outros objetos para as detentas atrasou pelo menos três horas. ''Essa garota já chegou aqui causando problemas. Se a cadeia 'virar' (se rebelar), a gente vai catar ela. É melhor ela ir de bonde (ser transferida)'', advertiu a presidiária.


