O promotor Luiz Vasconcelos, representante do Ministério Público de Alagoas no novo inquérito que investiga as mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e Suzana Marcolino, ocorridas no dia 23 de junho de 1996, recebeu telefonemas ameaçando-o de morte na última sexta-feira. É a segunda vez que Vasconcelos sofre ameaças. Há cerca de um ano, quando assumiu o caso pelo Ministério Público, ele foi ameaçado no momento em que participava de uma reunião com a cúpula da Polícia Civil. ‘‘Eu estava na reunião quando recebi uma ligação acintosa. Agora, foram várias ligações feitas para minha casa e para o meu celular’’, disse Vasconcelos.
Nas ligações, atendidas por ele, pela sua mulher e pela empregada, um homem disse que Vasconcelos não deveria se aprofundar mais nas investigações e que ‘‘não era para expor os delegados’’. ‘‘Eu não sei o que queriam dizer com isso, mas é uma prática dessas pessoas, é normal. Tentam fazer muitas intimidações’’, disse o promotor, acrescentando que já sofreu várias ameaças de morte em outros casos. Vasconcelos, no entanto, disse que o Ministério Público está decidido a ir até o fim das investigações e tentar encontrar os responsáveis pelos tiros que mataram PC e Suzana.
‘‘Isso não vai me desviar de maneira nenhuma da minha busca. Se algo acontecer comigo, terão outros 180 promotores para continuar o trabalho’’, disse ele, que recebe segurança de dois policiais permanentemente. As ameaças foram comunicadas ao governador Ronaldo Lessa (PSB), à Secretaria da Segurança Pública, ao comando da Polícia Militar e à Procuradoria Geral de Justiça.
Vasconcelos disse que ‘‘várias informações foram aclaradas’’ nos últimos dias, mas afirmou que não vai antecipar nada, por enquanto, sobre o encaminhamento que o Ministério Público dará ao caso.
Os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade -que também foram ameaçados de morte no início das novas investigações- já descartaram a tese oficial de que Suzana matou PC e se suicidou, caracterizando o caso como crime passional. Para eles, houve duplo homicídio. Os delegados afirmaram que deverão ser indiciados os quatro seguranças que trabalhavam para o empresário na época do crime.
Um quinto ex-segurança de PC, o sargento da PM Rinaldo da Silva Lima, cujo depoimento no primeiro inquérito tinha contradições em relação aos dos demais seguranças, foi morto no início do mês em uma suposta briga de rua. Existem suspeitas que esse crime tenha ligação com as mortes de PC e Suzana.
O ex-segurança morreu com três tiros quatro dias após o promotor ter determinado novas investigações sobre as mortes. Rinaldo era irmão do cabo da PM Reinaldo Correia de Lima Filho, ex-segurança de PC que teria encontrado o empresário e sua namorada mortos na casa de praia em Guaxuma (litoral norte de Maceió).

mockup