O promotor de Justiça Roberto Porto, que investiga o crime organizado em São Paulo, foi perseguido ontem no Jardim Europa (zona oeste de São Paulo), reagiu e foi ferido no joelho direito. Polícia e Ministério Público não descartam possibilidade de atentado.

Porto integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) da Promotoria. Ele investiga atualmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que age nos presídios, e a atuação das máfias chinesa e coreana.

O incidente ocorreu por volta das 9h30. Ele estava indo para uma academia de ginástica, como faz todas as manhãs. O promotor dirigia seu Audi quando um Ômega preto com quatro pessoas, que vinha na direção contrária, atravessou a pista e bateu de frente em seu carro. Porto deu a marcha a ré, mas o Ômega continuou a perseguição dando pequenas batidas no seu veículo. Numa curva, ele subiu na calçada e ficou encurralado.

Foi aí que teria ocorrido o tiroteio. O promotor, que também estava armado, diz que saiu do carro e fez um disparo. Depois ele entrou de volta no Audi e conseguiu escapar porque tirou o veículo da calçada quando o grupo saía do Ômega. ''Me deram um tiro que pegou de raspão e eu revidei com outro tiro. E é só o que eu sei'', afirmou. Ele foi atendido no hospital Albert Einstein e liberado.

No Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Porto não quis afirmar se tinha sido vítima de atentado. ''Eles sabiam quem eu era. Eu passo por ali todos os dias. Eles sabiam o que estavam fazendo.''

Há promotores, no entanto, que acreditam mais na hipótese de atentado, principalmente pelo tipo de investigação que Porto vinha desenvolvendo, sobre a atuação das máfias chinesa e coreana. O possível atentado, se não tinha a intenção de matar, serviria para intimidar o mapeamento dos grupos que atuam no Estado.

Levantamento do Gaeco, do qual Porto participou, identificou que pelo menos 90 das 120 avícolas da capital, controladas por chineses, por exemplo, pagaram ''proteção'' a mafiosos.

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