Promotor pretende pedir reabertura do caso PC
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 24 (AE) - O promotor de Justiça de Alagoas Luiz Vasconcelos disse hoje que vai reabrir as investigações sobre a morte do empresário Paulo César Farias e de sua namorada Suzana Marcolino caso sejam comprovados erros no laudo do legista paulista Badan Palhares. Suzana e PC foram encontrados mortos com um tiro de revólver cada, na manhã de 23 de junho de 1996, na casa de praia do empresário, em Maceió. A investigação da polícia alagoana, sob o comando do delegado Cícero torres, concluiu que foi crime passional: Suzana matou PC e depois se suicidou.
Vasconcelos desconfia dessa versão e vai pedir nova diligência à polícia. Ele quer ouvir novamente os peritos que assinaram laudos sobre o caso; fazer a reconstituição do crime (com as mesmas pessoas que estavam na casa e no mesmo horário do fato) e reinterrogar os seguranças. O promotor justifica a iniciativa dizendo que apareceram fatos novos sobre o caso -que estão sendo mantidos sob sigilo- entre os quais a diferença da verdadeira altura de Suzana em comparação com a medição apresentada no laudo assinado por Palhares.
"No laudo do Palhares consta que Suzana tem 1,67 metro, sendo portanto mais alta que Paulo César Farias. Mas em fotos da família Suzana aparece ao lado de PC, ambos descalços e de pé, dando para ver claramente que ela era mais baixa do que ele", destaca Vasconcelos.
Vasconcelos disse que, de acordo com a família da namorada de PC, Suzana tinha 1,58 metro de altura e não 1,67 metro como consta no laudo de Palhares. "Estamos requisitando essas fotos e documentos publicados em um jornal de grande circulação nacional, para que possamos analisá-las e solicitar novas diligências sobre o caso", afirmou.
Para o promotor, a diferença de altura, embora seja de apenas 10 centímetros, implica numa reformulação completa do laudo de Palhares. "Mas não sei até que ponto isso poderá mudar a versão de crime passional para duplo assassinato", acrescentou Vasconcelos, que vai convocar Palhares para prestar um novo depoimento sobre o caso, em Maceió.
Há quase um ano com o inquérito sobre o caso PC, Vasconcelos disse que ainda não se convenceu da tese de crime passional, por isso deixou que o caso caísse no esquecimento para poder trabalhar com maior tranquilidade e chegar o mais perto possível da verdade dos fatos. "Se a tese inicial tivesse me convencido, eu já teria pedido arquivamento", disse. "Para o inquérito virar processo, eu preciso denunciar alguém, e isso só posso fazer com provas", completou Vasconcelos.
Entre as provas que o promotor pretende obter constam dois laudos que contestam a versão de crime passional: um do legista Daniel Romero Munhoz, da Universidade de São Paulo, e outro do legista George Sanguinetti, da Universidade Federal de Alagoas.
Segundo o laudo de Munhoz, "há evidências, que falam contra o suicídio, portanto pode ter havido um duplo assassinato".
Na opinião de Munhoz, os seguranças que estavam na casa de praia no dia do crime teriam que ter ouvido os tiros, mas na polícia eles disseram que não ouviram nada. Porém, o promotor tem em mãos o rastreamento de todos os telefonemas que os seguranças deram ou receberam de dentro da casa de praia, durante e depois do crime. O chefe da segurança e motorista de PC, Juarez Alves, por exemplo, recebeu e fez cerca de 40 ligações telefônicas, das 20 horas do sábado às 4h30 do domingo (provável hora do suicídio").
Além disso, a Polícia Federal vinha realizando escuta nos telefones de todos os seguranças. As informações colhidas durante a escuta estão sob segredo de Justiça.
Apesar de ter todas essas informações, Vasconcelos disse que depende de novos depoimentos e novas diligências para poder decidir se vai pedir o arquivamento por falta de autores materiais do crime ou se oferecerá denúncia contra alguns suspeitos.
A reportagem tentou ouvir hoje o deputado Augusto Farias (PFL-AL), irmão de PC, mas ele não quis falar sobre o assunto. Seu assessor de imprensa, Gabriel Mousinho, disse que "como não foram apresentados novos fatos, a família continua acreditando que PC foi vítima de um crime passional".


