Promotor pede prisão de sócio de botica
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quinta-feira, 08 de outubro de 1998
Agência Folha 
O Ministério Público de Santo André, SP, pediu ontem a prisão preventiva de mais três envolvidos no caso do Androcur - Daniel Derkatscheff Vera, um dos donos da Botica Ao Veado DOuro, Ricardo Garcia, ex-sócio da empresa e genro de Derkatscheff, e Jorge Elias Kury, dono da gráfica Jocean.
O laboratório Veafarm, da Botica, chegou a produzir cerca de 1 milhão de placebos, que depois foram colocados no mercado como Androcur. O remédio pode ter acelerado a morte de pelo menos dez pacientes que faziam tratamento contra câncer de próstata.
Segundo o promotor Roberto Wider Filho, os quatro são acusados de falsificação de remédio e formação de quadrilha. Wider ofereceu ontem o aditamento da denúncia, mas não incluiu o outro sócio da Botica, Edgar Helbig, por considerar que sua participação foi culposa (sem intenção).
Segundo o promotor Wider, há vários indícios da participação de Derkatscheff na falsificação do remédio. Segundo ele, o sócio chegou a receber dinheiro referente à encomenda do placebo e mandou destruir todos os indícios da fabricação do comprimido na empresa. Se ele não tivesse nenhuma responsabilidade no caso, não teria por que omitir tais fatos. Não teria tido um comportamento desse. Segundo Wider, o ex-sócio Ricardo Garcia também teve participação fundamental no caso, já que ele teria autorizado a produção do placebo.
Segundo José Benedito Neves, advogado de Derkatscheff, o pedido de preventiva é absurdo. A empresa, de 140 anos, não teria motivo nenhum para se envolver em um caso desse. Teresa Gonçalves, advogada de Jorge Kury, acusado de participar da falsificação por ter produzido as embalagens do remédio, não quis se pronunciar. Paula Zanelato, uma das advogadas de Garcia, afirmou que iria esperar decisão do juiz para comentar a medida.
Wider também pediu abertura de processo contra Paulo Roberto Fanchini, acusado de formação de quadrilha e falsificação de documentos. Ele teria esquentado notas fiscais para a venda do Androcur, assim como Davi Teixeira. Os dois já estão presos. O pedido de prisão e abertura de processo será avaliado por um novo promotor e juiz, de São Paulo.
A polícia chegou à Botica Ao Veado DOuro fazendo o caminho inverso da distribuição dos remédios falsos. O corretor de remédios Élcio Ferreria da Silva, que está preso, afirma ter encomendado em 96 um dublê do Androcur a Ricardo Garcia, que na época era um dos sócios da Botica.
Garcia, que deixou a Botica há cerca de um ano, nega ter qualquer participação nesse caso. Apesar de Élcio ter reconhecido o ex-sócio na delegacia, ele afirma nunca ter visto Élcio. Garcia chegou a ficar preso por uma semana, mas conseguiu liminar para habeas corpus e foi solto.
A partir do pedido de Élcio, a Botica produziu cerca de 1 milhão de placebos. O farmacêutico Henrique Andrade, responsável pelo laboratório Veafarm, empresa da Botica, e a gerente de vendas Iraci Gomes afirmaram que a produção foi autorizada por Garcia.
O sócio Edgar Helbig também foi informado por esses funcionários da quantia elevada de placebos que estavam sendo produzidos no laboratório. Helbig afirma ter procurado Garcia, que teria confirmado a procedência legal do pedido.


